junho 13, 2009
3º Calhau a Contar do Sol
Era uma série em que, ao bom estilo de Gil Vicente se fazia uma crítica (por vezes mordaz) da forma como somos, como funcionamos, como nos relacionamos, nas nossas ambições, nos nossos sentimentos, nas nossas contradições.
Tudo o que se passava nessa hora, tirando a hipérbole necessária à própria comédia, era profundamente realista e humano.
O que faz a técnica da série funcionar, é algo muito semelhante aos artifícios de retórica que Umberto Eco mencionou magistralmente na sua participação no ciclo "Sob o Signo da Palavra", organizado pelo Centro de Estudos "A Permanência do Clássico", em 20 de Maio de 2004, na Universidade de Bolonha. ("A passo de Caranguejo", 6a ed., Difel, pp. 47 e seguintes)
A intervenção do grande pensador italiano começa com algo do género: "Não sei se o que vou dizer adianta alguma coisa, porque vocês não têm capacidade para o compreender", para explicar como tal forma de argumentação é obviamente contraproducente para convencer a audiência da justeza das nossas afirmações subsequentes.
E, na sua forma didáctica de expôr as questões, continua dizendo algo como isto: o problema surge, no entanto, quando nos afirmam algo subtilmente diferente: "Não sei se o que vou dizer adianta alguma coisa, mas irei dizê-lo na mesma em respeito aos 2 ou 3 que têm capacidade intelectual para perceber o que digo". Neste caso, cada pessoa se sentirá uma das "2 ou 3 iluminadas", e, olhando com desdém para quem os rodeia, fará o seu melhor para aceitar a teoria que lhe é proposta - afinal, prova inequívoca da sua superioridade! - mesmo que seja contra os seus próprios valores e ideais.
É uma rasteira subtil, mas eficiente. Como se costuma dizer, nos pormenores é que se esconde o diabo!
Dizia eu, a comédia na série televisiva, encontra-se num artifício muito semelhante: o tele-espectador, ciente da sua superioridade perante os eventos que lhe são mostrados, permite-se achar graça aos mesmos. O engano está na própria superioridade do espectador, que é completamente ilusória. Ridendo Castigat Mores. A rir castigas os teus costumes.
Não pretendo advogar para mim nem superioridade, nem convencer o prezado e indulgente leitor da justeza (ou não!) das minhas observações. Mas, na minha mentalidade (leiga, e certamente ignorante dos grandes desígnios), tenho hoje, em grande medida, a ideia de estarmos a viver dentro de um gigantesco e super elaborado episódio do "3º Calhau a Contar do Sol".
Senão vejamos.
A ideia geral alinha-se para uma imagem da sociedade em que os (poucos) ricos (poderosos banqueiros, empresários, políticos) se organizam para controlar (explorar, subjugar) os (muitos) pobres, com o intuito de aumentar a sua esfera de poder e/ou a sua riqueza.
Com essa ideia em mente, organizam-se teorias de organização da sociedade, genericamente denominadas de "direita" ou de "esquerda", que advogam uma maior ou menor regulação/intervenção da sociedade sobre o indivíduo - principalmente, sobre os ricos ou especialmente poderosos.
A "direita", genericamente, defende as liberdades individuais, e uma auto-regulação do indivíduo, enquanto a "esquerda" defende a supervisão da sociedade (estatal) sobre os indivíduos.
Assim, a "direita" é normalmente associada aos estratos da sociedade dominantes, enquanto a "esquerda" se identifica logicamente mais com o proletariado, e as classes trabalhadoras.
A ironia - não por acaso elemento muito associado à comédia, e especialmente utilizado nas peças de Gil Vicente e na sitcom americana - surge em períodos de crise como o que atravessamos actualmente, em que os ricos e poderosos (a "direita") vem pedir apoios estatais para os (seus) negócios privados em colapso, enquanto o povo (a "esquerda") se manifesta ruidosamente contra os mesmos.
Por certo não ignorará a esquerda a razão dos que, à direita, dizem que se as empresas falirem, os trabalhadores irão para o desemprego, e o povo passará fome.
Na mesma medida, não ignora a direita, que o excesso de liberdades - que advogam - torna a sociedade instável, e que a participação/supervisão do estado sobre as actividades privadas é necessária, potenciadora de estabilidade, e geradora de períodos mais alargados de prosperidade social e económica - mesmo que possa limitar (e limite de facto) em determinados períodos a dimensão dessa mesma prosperidade.
Mas, é claro que ninguém quer perder a face, mesmo que, de ambos os lados da barricada ideológica, o gato se esconda com o rabo de fora.
(A juntar à fina ironia deste episódio, nas últimas europeias os povos deram uma vitória inequívoca à escala europeia dos partidos de direita sobre os da esquerda. Mas não pretendo teorizar sobre este assunto...)
O caso BPP é sintomático do que acabo de dizer. No auge da crise financeira, o então presidente da instituição veio pedir apoio estatal para a salvar da falência. O governo - de esquerda, e apesar da oposição ruidosa de toda a oposição ainda mais à esquerda - prontamente se disponibilizou a ajudar, intervencionando e congelando as contas dos depositantes do banco.
Pode-se dizer, que o governo teve uma atitude coerente com os seus ideais. A oposição à esquerda, por outro lado, não poderia ter uma reacção mais à direita, pois a ausência de intervenção significaria a falência da instituição, e ruína para trabalhadores e clientes.
Esta semana, no rescaldo de uma potente derrota eleitoral, o mesmo governo de esquerda - pressionado sem dúvida pela necessidade de alinhar rapidamente a sua acção com a dos partidos ideológicamente mais semelhantes - veio ceder ao protesto das oposições ditas de esquerda, e dar o dito por não dito, isto é, deixando cair o banco.
Parece-me muito justa a observação de Paulo Ferreira, na edição do Público de hoje: "se a decisão do Governo de deixar o BPP entregue às leis do mercado está correcta, então ela chegou atrasada sete meses; mas se considerarmos que ela chegou no tempo certo, então ela está errada." Afinal, o raciocínio que está perante as tomadas de decisão neste caso, não se percebe.
Aliás, percebe-se, e bem, é o jogo da sobrevivência política!
O problema, é que estas acções ziguezagueantes dizem muito acerca da natureza humana, e dão razão aos cépticos que criticam o discurso bem intencionado de António Barreto, que nas recentes comemorações do dia de Portugal dizia que o exemplo fazia mais pelo progresso e bem estar da comunidade que discursos bonitos e bem elaborados.
Em Itália, Berlusconi soma e segue, apesar das suas extravagâncias com raparigas de tenra idade nos seus palácios e sabe-se lá onde mais, e acção legislativa feita à medida, e atropelos aos direitos humanos, e alegadas ligações às mafias, e..., e... E... Não me encontro suficientemente habilitado para arriscar a explicação do fenómeno. (Penso no entanto que as consequências da manutenção daquele senhor no cargo serão graves e duráveis, e que a falta do povo italiano em reconhecer isso mesmo deve ser motivo de preocupação e reflexão profunda.)
Escrevamos sem rodeios: O senhor é motivo de chacota por toda a Europa. Mas, será assim tão diferente em nossa casa? Como no "3º Calhau a Contar do Sol", tirando a espectacularidade e a extravagância das acções, o que é que separa o senhor Berlusconi do senhor Sócrates, do senhor Jardim, do senhor Presidente da Câmara, do Patrão, do empregado, do vizinho... de nós próprios? Será assim tanto?
Em Inglaterra, o governo teve uma pesada derrota eleitoral, diz-se, devido a um escândalo de uso de dinheiros públicos para financiar despesas privadas dos deputados. A verdade, parece, é que todos o faziam, e que a grande fatia do bolo até terá sido gasta pelos deputados do principal partido da oposição (que, por acaso, até terá ganho as eleições).
Mais uma vez, assim tão diferente de nós próprios?
junho 12, 2009
Israel
Nesta parte do mundo, há muito que a comunidade internacional escolhe fechar os olhos a situações como estas. Num país que foi gerado na consequência do horror terrorista do 3º Reich, o domínio cada vez mais acentuado da extrema direita apenas pode ser motivo de preocupação.
É evidente que Israel perde a aura de pequeno estado oprimido perante as potências árabes que o rodeiam. Pelo contrário, Israel é hoje uma criança mimada - um pequeno ditador - que usa a protecção dos Estados Unidos para oprimir impunemente populações desprotegidas.
As poucas organizações que lutam contra esta opressão, começaram a fornecer aos palestinianos câmaras de filmar, na tentativa que as imagens mobilizem a opinião pública internacional. O resultado, no entanto, é ainda incipiente.
O terrorismo de estado israelita tem obviamente cobertura pelo imenso e grande lobby judaico - americano, mas também europeu. No entanto, pode-se dizer também que todos nós enquanto opinião pública temos a culpa do estado a que as coisas chegaram. Após décadas de vermos nas televisões as agressões que a imensa mole palestiniana sofre, quando é que nos indignámos realmente a ponto de fazer - ou exigir que se fizesse - algo?
O facto é que, a acção dos nossos responsáveis está - e esteve - em linha com as nossas próprias. Se todo o mundo condenou a recente guerra na faixa de Gaza, nenhum político se terá sentido suficientemente pressionado pela sua população para erguer uma barreira efectiva que protegesse os palestinianos das bombas de fósforo israelitas.
(Note-se aqui, o intenso contraste com as guerras dos Balcãs, em que a NATO correu a proteger populações Bósnias e Kosovares dos pérfidos Sérvios - estes últimos ironicamente aliados da poderosa Rússia.)
O que separa realmente a questão Palestiniana da questão Kosovar? No limite, não poderia ser empregue uma solução semelhante, de reconhecimento internacional de um Estado independente, mesmo sem o acordo de uma das partes?
Tenho a noção da dificuldade particular da fronteira entre Israel e Palestina ser uma entidade mais maleável que rígida, e de haver as questões das zonas ocupadas e dos refugiados. Nesse sentido, parece-me correcta a abordagem de Obama, que exige pura e simplesmente a cessação dos colonatos.
Tal indica que o Big Brother Americano (no sentido de irmão mais velho e protector) poderá estar finalmente a cansar-se das tropelias do rebelde Little Brother, e prepara-se para exigir das partes as responsabilidades que lhes são devidas.
Oxalá!...
junho 10, 2009
Amén...
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades
Santarém, 10 de Junho de 2009
António Barreto
Senhor Presidente da República,
Senhor Presidente da Assembleia da República, Senhor Primeiro-ministro,
Senhores Embaixadores,
Senhor Presidente da Câmara de Santarém,
Senhoras e Senhores,
Dia de Portugal... É dia de congratulação. Pode ser dia de lustro e lugares comuns. Mas também pode ser dia de simplicidade plebeia e de lucidez.
Várias vezes este dia mudou de nome. Já foi de Camões, por onde começou. Já foi de Portugal, da Raça ou das Comunidades. Agora, é de Portugal, de Camões e das Comunidades. Com ou sem tolerância, com ou sem intenção política específica, é sempre o mesmo que se festeja: os Portugueses. Onde quer que vivam.
Há mais de cem anos que se celebra Camões e Portugal. Com tonalidades diferentes, com ideias diversas de acordo com o espírito do tempo. O que se comemora é sempre o país e o seu povo. Por isso o Dia de Portugal é também sempre objecto de críticas. Iguais, no essencial, às expressas por Eça de Queirós, aquando do primeiro dia de Camões. Ele afirmava que os portugueses, mais do que colchas às varandas, precisavam de cultura.
Estranho dia este! Já foi uma "manobra republicana", como lhe chamou Jorge de Sena. Já foi "exaltação da raça", como o designaram no passado. Já foi de Camões, utilizado para louvar imperialismos que não eram os dele. Já foi das Comunidades, para seduzir os nossos emigrantes, cujas remessas nos faziam falta. E apenas de Portugal.
Os Estados gostam de comemorar e de se comemorar. Nem sempre sabem associar os povos a tal gesto. Por vezes, quando o fazem, é de modo desajeitado. "As festas decretadas, impostas por lei, nunca se tornam populares", disse também Eça de Queirós. Tinha razão. Mas devo dizer que temos a felicidade única de aliar a festa nacional a Camões. Um poeta, em vez de uma data bélica. Um poeta que nos deu a voz. Que é a nossa voz. Ou, como disse Eduardo Lourenço, um povo que se julga Camões. Que é Camões. Verdade é que os povos também prezam a comemoração, se nela não virem armadilha ou manipulação.
Comemora-se para criar ou reforçar a unidade. Para afirmar a continuidade. Para reinterpretar o passado. Para utilizar a História a favor do presente. Para invocar um herói que nos dê coesão. Para renovar a legitimidade histórica. São, podem ser, objectivos decentes. Se soubermos resistir à tentação de nos apropriarmos do passado e dos heróis, a fim de desculpar as deficiências contemporâneas.
Não é possível passar este dia sem olharmos para nós. Mas podemos fazê-lo com consciência. E simplicidade.
Garantimos com altivez que Camões é o grande escritor da língua portuguesa e um dos maiores poetas do mundo, mas talvez fosse preferível estudá-lo, dá-lo a conhecer e garantir a sua perenidade.
Afirmamos, com brio, que os portugueses navegadores descobriram os caminhos do mundo nos séculos XV e XVI e que os portugueses emigrantes os percorreram desde então. Mais vale afirmá-lo com o sentido do dever de contribuir para a solidez desta comunidade.
Dizemos, com orgulho, que o Português é uma das seis grandes línguas do mundo. Mas deveríamos talvez dizê-lo com a responsabilidade que tal facto nos confere.
Quando se escolhe um português que nos representa, que nos resume, escolhe-se um herói. Ele é Camões. Podemos festejá-lo com narcisismo. Mas também com a decência de quem nele procura o melhor.
Os nossos maiores heróis, com Camões à cabeça, ilustraram-se pela liberdade e pelo espírito insubmisso. Pela aventura e pelo esforço empreendedor. Pela sua humanidade e, algumas vezes, pela tolerância. Infelizmente, foram tantas vezes utilizados com o exacto sentido oposto: obedientes ou símbolos de uma superioridade obscena.
Ainda hoje soubemos prestar homenagem a Salgueiro Maia. Nele, festejámos a liberdade, mas também aquele homem. Que esta homenagem não se substitua, ritualmente, ao nosso dever de cuidar da democracia.
As comemorações nacionais têm a frequente tentação de sublinhar ou inventar o excepcional. O carácter único de um povo. A sua glória. Mas todos sentimos, hoje, os limites dessa receita nacionalista. Na verdade, comemorar Portugal e festejar os Portugueses pode ser acto de lucidez e consciência. No nosso passado, personificado em Camões, o que mais impressiona é a desproporção entre o povo e os feitos, entre a dimensão e a obra. Assim como esta extraordinária capacidade de resistir, base da "persistência da nacionalidade", como disse Orlando Ribeiro. Mas que isso não apague ou esbata o resto. Festejar Camões não é partilhar o sentido épico que ele soube dar à sua obra maior, mas é perceber o homem, a sua liberdade e a sua criatividade. Como também é perceber o que fizemos de bem e o que fizemos de mal. Descobrimos mundos, mas fizemos a guerra, por vezes injusta. Civilizámos, mas também colonizámos sem humanidade. Soubemos encontrar a liberdade, mas perdemos anos com guerras e ditaduras.
Fizemos a democracia, mas não somos capazes de organizar a justiça. Alargámos a educação, mas ainda não soubemos dar uma boa instrução. Fizemos bem e mal. Soubemos abandonar a mitologia absurda do país excepcional, único, a fim de nos transformarmos num país como os outros. Mas que é o nosso. Por isso, temos de nos ocupar dele. Para que não sejam outros a fazê-lo.
Há mais de trinta anos, neste dia, Jorge de Sena deixou palavras que ecoam. Trouxe-nos um Camões humano, sabedor, contraditório, irreverente, subversivo mesmo.
Desde então, muito mudou. O regime democrático consolidou-se. Recheado de defeitos, é certo. Ainda a viver com muita crispação, com certeza. Mas com regras de vida em liberdade.
Evoluiu a situação das mulheres, a sua presença na sociedade. Invisíveis durante tanto tempo, submissas ainda há pouco, as mulheres já fizeram um país diferente.
Mudou até a constituição do povo. A sociedade plural em que vivemos hoje, com vários deuses e credos, com dois sexos iguais, com diversas línguas e muitos costumes, com os partidos e as associações que se queira, seria irreconhecível aos nossos próximos antepassados.
A sociedade e o país abriram-se ao mundo. No emprego, no comércio, no estudo, nas viagens, nas relações individuais e até no casamento, a sociedade aberta é uma novidade recente.
A pertença à União Europeia, timidamente desejada há três décadas, nem sequer por todos, é um facto consumado.
A estes trinta anos pertence também o Estado de protecção social, com especial relevo para o Serviço Nacional de Saúde, a segurança social universal e a escolarização da população jovem. É certamente uma das realizações maiores.
Estas transformações são motivo de regozijo. Mas este não deve iludir o que ainda precisa de mudança. O que não foi possível fazer progredir. E a mudança que correu mal.
A Sociedade e o Estado são ainda excessivamente centralizados. As desigualdades sociais persistem para além do aceitável. A injustiça é perene. A falta de justiça também. 0 favor ainda vence vezes de mais o mérito. O endividamento de todos, país, Estado, empresas e famílias é excessivo e hipoteca a próxima geração. A nossa pertença à União Europeia não é claramente discutida e não provoca um pensamento sério sobre o nosso futuro como nacionalidade independente.
Há poucos dias, a eleição europeia confirmou situações e diagnósticos conhecidos. A elevadíssima abstenção mostrou uma vez mais a permanente crise de legitimidade e de representatividade das instituições europeias. A cidadania europeia é uma noção vaga e incerta. É um conceito inventado por políticos e juristas, não é uma realidade vivida e percebida pelos povos. É um pretexto de Estado, não um sentimento dos povos. A pertença à Europa é, para os cidadãos, uma metafísica sem tradição cultural, espiritual ou política. Os Estados e os povos europeus deveriam pensar de novo, uma, duas, três vezes, antes de prosseguir caminhos sem saída ou falsos percursos que terminam mal. E nós fazemos parte desse número de Estados e povos que têm a obrigação de pensar melhor o seu futuro, o futuro dos Portugueses que vêm a seguir.
É a pensar nessas gerações que devemos aproveitar uma comemoração e um herói para melhor ligar o passado com o futuro.
Não usemos os nossos heróis para nos desculpar. Usemo-los como exemplos. Porque o exemplo tem efeitos mais duráveis do que qualquer ensino voluntarista.
Pela justiça e pela tolerância, os portugueses precisam mais de exemplo do que de lições morais.
Pela honestidade e contra a corrupção, os portugueses necessitam de exemplo, bem mais do que de sermões.
Pela eficácia, pela pontualidade, pelo atendimento público e pela civilidade dos costumes, os portugueses serão mais sensíveis ao exemplo do que à ameaça ou ao desprezo.
Pela liberdade e pelo respeito devido aos outros, os portugueses aprenderão mais com o exemplo do que com declarações solenes.
Contra a decadência moral e cívica, os portugueses terão mais a ganhar com o exemplo do que com discursos pomposos.
Pela recompensa ao mérito e a punição do favoritismo, os portugueses seguirão o exemplo com mais elevado sentido de justiça.
Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo "ethos" deveria ser o de servir.
Dê-se o exemplo e esse gesto será fértil! Não vale a pena, para usar uma frase feita, dar "sinais de esperança" ou "mensagens de confiança". Quem assim age, tem apenas a fórmula e a retórica. Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará. Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos.
Políticos, empresários, sindicalistas e funcionários: tenham consciência de que, em tempos de excesso de informação e de propaganda, as vossas palavras são cada vez mais vazias e inúteis e de que o vosso exemplo é cada vez mais decisivo. Se tiverem consideração por quem trabalha, poderão melhor atravessar as crises. Se forem verdadeiros, serão respeitados, mesmo em tempos difíceis.
Em momentos de crise económica, de abaixamento dos critérios morais no exercício de funções empresariais ou políticas, o bom exemplo pode ser a chave, não para as soluções milagrosas, mas para o esforço de recuperação do país.
junho 06, 2009
Eleições Europeias
6 Junho de 1944: Dia D
O Discurso
A New Beginning
I am honored to be in the timeless city of Cairo, and to be hosted by two remarkable institutions. For over a thousand years, Al-Azhar has stood as a beacon of Islamic learning, and for over a century, Cairo University has been a source of Egypt's advancement. Together, you represent the harmony between tradition and progress. I am grateful for your hospitality, and the hospitality of the people of Egypt. I am also proud to carry with me the goodwill of the American people, and a greeting of peace from Muslim communities in my country: assalaamu alaykum.
We meet at a time of tension between the United States and Muslims around the world - tension rooted in historical forces that go beyond any current policy debate. The relationship between Islam and the West includes centuries of co-existence and cooperation, but also conflict and religious wars. More recently, tension has been fed by colonialism that denied rights and opportunities to many Muslims, and a Cold War in which Muslim-majority countries were too often treated as proxies without regard to their own aspirations. Moreover, the sweeping change brought by modernity and globalization led many Muslims to view the West as hostile to the traditions of Islam.
Violent extremists have exploited these tensions in a small but potent minority of Muslims. The attacks of September 11th, 2001 and the continued efforts of these extremists to engage in violence against civilians has led some in my country to view Islam as inevitably hostile not only to America and Western countries, but also to human rights. This has bred more fear and mistrust.
So long as our relationship is defined by our differences, we will empower those who sow hatred rather than peace, and who promote conflict rather than the cooperation that can help all of our people achieve justice and prosperity. This cycle of suspicion and discord must end.
I have come here to seek a new beginning between the United States and Muslims around the world; one based upon mutual interest and mutual respect; and one based upon the truth that America and Islam are not exclusive, and need not be in competition. Instead, they overlap, and share common principles - principles of justice and progress; tolerance and the dignity of all human beings.
I do so recognizing that change cannot happen overnight. No single speech can eradicate years of mistrust, nor can I answer in the time that I have all the complex questions that brought us to this point. But I am convinced that in order to move forward, we must say openly the things we hold in our hearts, and that too often are said only behind closed doors. There must be a sustained effort to listen to each other; to learn from each other; to respect one another; and to seek common ground. As the Holy Koran tells us, "Be conscious of God and speak always the truth." That is what I will try to do - to speak the truth as best I can, humbled by the task before us, and firm in my belief that the interests we share as human beings are far more powerful than the forces that drive us apart.
Part of this conviction is rooted in my own experience. I am a Christian, but my father came from a Kenyan family that includes generations of Muslims. As a boy, I spent several years in Indonesia and heard the call of the azaan at the break of dawn and the fall of dusk. As a young man, I worked in Chicago communities where many found dignity and peace in their Muslim faith.
As a student of history, I also know civilization's debt to Islam. It was Islam - at places like Al-Azhar University - that carried the light of learning through so many centuries, paving the way for Europe's Renaissance and Enlightenment. It was innovation in Muslim communities that developed the order of algebra; our magnetic compass and tools of navigation; our mastery of pens and printing; our understanding of how disease spreads and how it can be healed. Islamic culture has given us majestic arches and soaring spires; timeless poetry and cherished music; elegant calligraphy and places of peaceful contemplation. And throughout history, Islam has demonstrated through words and deeds the possibilities of religious tolerance and racial equality.
I know, too, that Islam has always been a part of America's story. The first nation to recognize my country was Morocco. In signing the Treaty of Tripoli in 1796, our second President John Adams wrote, "The United States has in itself no character of enmity against the laws, religion or tranquility of Muslims." And since our founding, American Muslims have enriched the United States. They have fought in our wars, served in government, stood for civil rights, started businesses, taught at our Universities, excelled in our sports arenas, won Nobel Prizes, built our tallest building, and lit the Olympic Torch. And when the first Muslim-American was recently elected to Congress, he took the oath to defend our Constitution using the same Holy Koran that one of our Founding Fathers - Thomas Jefferson - kept in his personal library.
So I have known Islam on three continents before coming to the region where it was first revealed. That experience guides my conviction that partnership between America and Islam must be based on what Islam is, not what it isn't. And I consider it part of my responsibility as President of the United States to fight against negative stereotypes of Islam wherever they appear.
But that same principle must apply to Muslim perceptions of America. Just as Muslims do not fit a crude stereotype, America is not the crude stereotype of a self-interested empire. The United States has been one of the greatest sources of progress that the world has ever known. We were born out of revolution against an empire. We were founded upon the ideal that all are created equal, and we have shed blood and struggled for centuries to give meaning to those words - within our borders, and around the world. We are shaped by every culture, drawn from every end of the Earth, and dedicated to a simple concept: E pluribus unum: "Out of many, one."
Much has been made of the fact that an African-American with the name Barack Hussein Obama could be elected President. But my personal story is not so unique. The dream of opportunity for all people has not come true for everyone in America, but its promise exists for all who come to our shores - that includes nearly seven million American Muslims in our country today who enjoy incomes and education that are higher than average.
Moreover, freedom in America is indivisible from the freedom to practice one's religion. That is why there is a mosque in every state of our union, and over 1,200 mosques within our borders. That is why the U.S. government has gone to court to protect the right of women and girls to wear the hijab, and to punish those who would deny it.
So let there be no doubt: Islam is a part of America. And I believe that America holds within her the truth that regardless of race, religion, or station in life, all of us share common aspirations - to live in peace and security; to get an education and to work with dignity; to love our families, our communities, and our God. These things we share. This is the hope of all humanity.
Of course, recognizing our common humanity is only the beginning of our task. Words alone cannot meet the needs of our people. These needs will be met only if we act boldly in the years ahead; and if we understand that the challenges we face are shared, and our failure to meet them will hurt us all.
For we have learned from recent experience that when a financial system weakens in one country, prosperity is hurt everywhere. When a new flu infects one human being, all are at risk. When one nation pursues a nuclear weapon, the risk of nuclear attack rises for all nations. When violent extremists operate in one stretch of mountains, people are endangered across an ocean. And when innocents in Bosnia and Darfur are slaughtered, that is a stain on our collective conscience. That is what it means to share this world in the 21st century. That is the responsibility we have to one another as human beings.
This is a difficult responsibility to embrace. For human history has often been a record of nations and tribes subjugating one another to serve their own interests. Yet in this new age, such attitudes are self-defeating. Given our interdependence, any world order that elevates one nation or group of people over another will inevitably fail. So whatever we think of the past, we must not be prisoners of it. Our problems must be dealt with through partnership; progress must be shared.
That does not mean we should ignore sources of tension. Indeed, it suggests the opposite: we must face these tensions squarely. And so in that spirit, let me speak as clearly and plainly as I can about some specific issues that I believe we must finally confront together.
The first issue that we have to confront is violent extremism in all of its forms.
In Ankara, I made clear that America is not - and never will be - at war with Islam. We will, however, relentlessly confront violent extremists who pose a grave threat to our security. Because we reject the same thing that people of all faiths reject: the killing of innocent men, women, and children. And it is my first duty as President to protect the American people.
The situation in Afghanistan demonstrates America's goals, and our need to work together. Over seven years ago, the United States pursued al Qaeda and the Taliban with broad international support. We did not go by choice, we went because of necessity. I am aware that some question or justify the events of 9/11. But let us be clear: al Qaeda killed nearly 3,000 people on that day. The victims were innocent men, women and children from America and many other nations who had done nothing to harm anybody. And yet Al Qaeda chose to ruthlessly murder these people, claimed credit for the attack, and even now states their determination to kill on a massive scale. They have affiliates in many countries and are trying to expand their reach. These are not opinions to be debated; these are facts to be dealt with.
Make no mistake: we do not want to keep our troops in Afghanistan. We seek no military bases there. It is agonizing for America to lose our young men and women. It is costly and politically difficult to continue this conflict. We would gladly bring every single one of our troops home if we could be confident that there were not violent extremists in Afghanistan and Pakistan determined to kill as many Americans as they possibly can. But that is not yet the case.
That's why we're partnering with a coalition of forty-six countries. And despite the costs involved, America's commitment will not weaken. Indeed, none of us should tolerate these extremists. They have killed in many countries. They have killed people of different faiths - more than any other, they have killed Muslims. Their actions are irreconcilable with the rights of human beings, the progress of nations, and with Islam. The Holy Koran teaches that whoever kills an innocent, it is as if he has killed all mankind; and whoever saves a person, it is as if he has saved all mankind. The enduring faith of over a billion people is so much bigger than the narrow hatred of a few. Islam is not part of the problem in combating violent extremism - it is an important part of promoting peace.
We also know that military power alone is not going to solve the problems in Afghanistan and Pakistan. That is why we plan to invest $1.5 billion each year over the next five years to partner with Pakistanis to build schools and hospitals, roads and businesses, and hundreds of millions to help those who have been displaced. And that is why we are providing more than $2.8 billion to help Afghans develop their economy and deliver services that people depend upon.
Let me also address the issue of Iraq. Unlike Afghanistan, Iraq was a war of choice that provoked strong differences in my country and around the world. Although I believe that the Iraqi people are ultimately better off without the tyranny of Saddam Hussein, I also believe that events in Iraq have reminded America of the need to use diplomacy and build international consensus to resolve our problems whenever possible. Indeed, we can recall the words of Thomas Jefferson, who said: "I hope that our wisdom will grow with our power, and teach us that the less we use our power the greater it will be."
Today, America has a dual responsibility: to help Iraq forge a better future - and to leave Iraq to Iraqis. I have made it clear to the Iraqi people that we pursue no bases, and no claim on their territory or resources. Iraq's sovereignty is its own. That is why I ordered the removal of our combat brigades by next August. That is why we will honor our agreement with Iraq's democratically-elected government to remove combat troops from Iraqi cities by July, and to remove all our troops from Iraq by 2012. We will help Iraq train its Security Forces and develop its economy. But we will support a secure and united Iraq as a partner, and never as a patron.
And finally, just as America can never tolerate violence by extremists, we must never alter our principles. 9/11 was an enormous trauma to our country. The fear and anger that it provoked was understandable, but in some cases, it led us to act contrary to our ideals. We are taking concrete actions to change course. I have unequivocally prohibited the use of torture by the United States, and I have ordered the prison at Guantanamo Bay closed by early next year.
So America will defend itself respectful of the sovereignty of nations and the rule of law. And we will do so in partnership with Muslim communities which are also threatened. The sooner the extremists are isolated and unwelcome in Muslim communities, the sooner we will all be safer.
The second major source of tension that we need to discuss is the situation between Israelis, Palestinians and the Arab world.
America's strong bonds with Israel are well known. This bond is unbreakable. It is based upon cultural and historical ties, and the recognition that the aspiration for a Jewish homeland is rooted in a tragic history that cannot be denied.
Around the world, the Jewish people were persecuted for centuries, and anti-Semitism in Europe culminated in an unprecedented Holocaust. Tomorrow, I will visit Buchenwald, which was part of a network of camps where Jews were enslaved, tortured, shot and gassed to death by the Third Reich. Six million Jews were killed - more than the entire Jewish population of Israel today. Denying that fact is baseless, ignorant, and hateful. Threatening Israel with destruction - or repeating vile stereotypes about Jews - is deeply wrong, and only serves to evoke in the minds of Israelis this most painful of memories while preventing the peace that the people of this region deserve.
On the other hand, it is also undeniable that the Palestinian people - Muslims and Christians - have suffered in pursuit of a homeland. For more than sixty years they have endured the pain of dislocation. Many wait in refugee camps in the West Bank, Gaza, and neighboring lands for a life of peace and security that they have never been able to lead. They endure the daily humiliations - large and small - that come with occupation. So let there be no doubt: the situation for the Palestinian people is intolerable. America will not turn our backs on the legitimate Palestinian aspiration for dignity, opportunity, and a state of their own.
For decades, there has been a stalemate: two peoples with legitimate aspirations, each with a painful history that makes compromise elusive. It is easy to point fingers - for Palestinians to point to the displacement brought by Israel's founding, and for Israelis to point to the constant hostility and attacks throughout its history from within its borders as well as beyond. But if we see this conflict only from one side or the other, then we will be blind to the truth: the only resolution is for the aspirations of both sides to be met through two states, where Israelis and Palestinians each live in peace and security.
That is in Israel's interest, Palestine's interest, America's interest, and the world's interest. That is why I intend to personally pursue this outcome with all the patience that the task requires. The obligations that the parties have agreed to under the Road Map are clear. For peace to come, it is time for them - and all of us - to live up to our responsibilities.
Palestinians must abandon violence. Resistance through violence and killing is wrong and does not succeed. For centuries, black people in America suffered the lash of the whip as slaves and the humiliation of segregation. But it was not violence that won full and equal rights. It was a peaceful and determined insistence upon the ideals at the center of America's founding. This same story can be told by people from South Africa to South Asia; from Eastern Europe to Indonesia. It's a story with a simple truth: that violence is a dead end. It is a sign of neither courage nor power to shoot rockets at sleeping children, or to blow up old women on a bus. That is not how moral authority is claimed; that is how it is surrendered.
Now is the time for Palestinians to focus on what they can build. The Palestinian Authority must develop its capacity to govern, with institutions that serve the needs of its people. Hamas does have support among some Palestinians, but they also have responsibilities. To play a role in fulfilling Palestinian aspirations, and to unify the Palestinian people, Hamas must put an end to violence, recognize past agreements, and recognize Israel's right to exist.
At the same time, Israelis must acknowledge that just as Israel's right to exist cannot be denied, neither can Palestine's. The United States does not accept the legitimacy of continued Israeli settlements. This construction violates previous agreements and undermines efforts to achieve peace. It is time for these settlements to stop.
Israel must also live up to its obligations to ensure that Palestinians can live, and work, and develop their society. And just as it devastates Palestinian families, the continuing humanitarian crisis in Gaza does not serve Israel's security; neither does the continuing lack of opportunity in the West Bank. Progress in the daily lives of the Palestinian people must be part of a road to peace, and Israel must take concrete steps to enable such progress.
Finally, the Arab States must recognize that the Arab Peace Initiative was an important beginning, but not the end of their responsibilities. The Arab-Israeli conflict should no longer be used to distract the people of Arab nations from other problems. Instead, it must be a cause for action to help the Palestinian people develop the institutions that will sustain their state; to recognize Israel's legitimacy; and to choose progress over a self-defeating focus on the past.
America will align our policies with those who pursue peace, and say in public what we say in private to Israelis and Palestinians and Arabs. We cannot impose peace. But privately, many Muslims recognize that Israel will not go away. Likewise, many Israelis recognize the need for a Palestinian state. It is time for us to act on what everyone knows to be true.
Too many tears have flowed. Too much blood has been shed. All of us have a responsibility to work for the day when the mothers of Israelis and Palestinians can see their children grow up without fear; when the Holy Land of three great faiths is the place of peace that God intended it to be; when Jerusalem is a secure and lasting home for Jews and Christians and Muslims, and a place for all of the children of Abraham to mingle peacefully together as in the story of Isra, when Moses, Jesus, and Mohammed (peace be upon them) joined in prayer.
The third source of tension is our shared interest in the rights and responsibilities of nations on nuclear weapons.
This issue has been a source of tension between the United States and the Islamic Republic of Iran. For many years, Iran has defined itself in part by its opposition to my country, and there is indeed a tumultuous history between us. In the middle of the Cold War, the United States played a role in the overthrow of a democratically-elected Iranian government. Since the Islamic Revolution, Iran has played a role in acts of hostage-taking and violence against U.S. troops and civilians. This history is well known. Rather than remain trapped in the past, I have made it clear to Iran's leaders and people that my country is prepared to move forward. The question, now, is not what Iran is against, but rather what future it wants to build.
It will be hard to overcome decades of mistrust, but we will proceed with courage, rectitude and resolve. There will be many issues to discuss between our two countries, and we are willing to move forward without preconditions on the basis of mutual respect. But it is clear to all concerned that when it comes to nuclear weapons, we have reached a decisive point. This is not simply about America's interests. It is about preventing a nuclear arms race in the Middle East that could lead this region and the world down a hugely dangerous path.
I understand those who protest that some countries have weapons that others do not. No single nation should pick and choose which nations hold nuclear weapons. That is why I strongly reaffirmed America's commitment to seek a world in which no nations hold nuclear weapons. And any nation - including Iran - should have the right to access peaceful nuclear power if it complies with its responsibilities under the nuclear Non-Proliferation Treaty. That commitment is at the core of the Treaty, and it must be kept for all who fully abide by it. And I am hopeful that all countries in the region can share in this goal.
The fourth issue that I will address is democracy.
I know there has been controversy about the promotion of democracy in recent years, and much of this controversy is connected to the war in Iraq. So let me be clear: no system of government can or should be imposed upon one nation by any other.
That does not lessen my commitment, however, to governments that reflect the will of the people. Each nation gives life to this principle in its own way, grounded in the traditions of its own people. America does not presume to know what is best for everyone, just as we would not presume to pick the outcome of a peaceful election. But I do have an unyielding belief that all people yearn for certain things: the ability to speak your mind and have a say in how you are governed; confidence in the rule of law and the equal administration of justice; government that is transparent and doesn't steal from the people; the freedom to live as you choose. Those are not just American ideas, they are human rights, and that is why we will support them everywhere.
There is no straight line to realize this promise. But this much is clear: governments that protect these rights are ultimately more stable, successful and secure. Suppressing ideas never succeeds in making them go away. America respects the right of all peaceful and law-abiding voices to be heard around the world, even if we disagree with them. And we will welcome all elected, peaceful governments - provided they govern with respect for all their people.
This last point is important because there are some who advocate for democracy only when they are out of power; once in power, they are ruthless in suppressing the rights of others. No matter where it takes hold, government of the people and by the people sets a single standard for all who hold power: you must maintain your power through consent, not coercion; you must respect the rights of minorities, and participate with a spirit of tolerance and compromise; you must place the interests of your people and the legitimate workings of the political process above your party. Without these ingredients, elections alone do not make true democracy.
The fifth issue that we must address together is religious freedom.
Islam has a proud tradition of tolerance. We see it in the history of Andalusia and Cordoba during the Inquisition. I saw it firsthand as a child in Indonesia, where devout Christians worshiped freely in an overwhelmingly Muslim country. That is the spirit we need today. People in every country should be free to choose and live their faith based upon the persuasion of the mind, heart, and soul. This tolerance is essential for religion to thrive, but it is being challenged in many different ways.
Among some Muslims, there is a disturbing tendency to measure one's own faith by the rejection of another's. The richness of religious diversity must be upheld - whether it is for Maronites in Lebanon or the Copts in Egypt. And fault lines must be closed among Muslims as well, as the divisions between Sunni and Shia have led to tragic violence, particularly in Iraq.
Freedom of religion is central to the ability of peoples to live together. We must always examine the ways in which we protect it. For instance, in the United States, rules on charitable giving have made it harder for Muslims to fulfill their religious obligation. That is why I am committed to working with American Muslims to ensure that they can fulfill zakat.
Likewise, it is important for Western countries to avoid impeding Muslim citizens from practicing religion as they see fit - for instance, by dictating what clothes a Muslim woman should wear. We cannot disguise hostility towards any religion behind the pretence of liberalism.
Indeed, faith should bring us together. That is why we are forging service projects in America that bring together Christians, Muslims, and Jews. That is why we welcome efforts like Saudi Arabian King Abdullah's Interfaith dialogue and Turkey's leadership in the Alliance of Civilizations. Around the world, we can turn dialogue into Interfaith service, so bridges between peoples lead to action - whether it is combating malaria in Africa, or providing relief after a natural disaster.
The sixth issue that I want to address is women's rights.
I know there is debate about this issue. I reject the view of some in the West that a woman who chooses to cover her hair is somehow less equal, but I do believe that a woman who is denied an education is denied equality. And it is no coincidence that countries where women are well-educated are far more likely to be prosperous.
Now let me be clear: issues of women's equality are by no means simply an issue for Islam. In Turkey, Pakistan, Bangladesh and Indonesia, we have seen Muslim-majority countries elect a woman to lead. Meanwhile, the struggle for women's equality continues in many aspects of American life, and in countries around the world.
Our daughters can contribute just as much to society as our sons, and our common prosperity will be advanced by allowing all humanity - men and women - to reach their full potential. I do not believe that women must make the same choices as men in order to be equal, and I respect those women who choose to live their lives in traditional roles. But it should be their choice. That is why the United States will partner with any Muslim-majority country to support expanded literacy for girls, and to help young women pursue employment through micro-financing that helps people live their dreams.
Finally, I want to discuss economic development and opportunity.
I know that for many, the face of globalization is contradictory. The Internet and television can bring knowledge and information, but also offensive sexuality and mindless violence. Trade can bring new wealth and opportunities, but also huge disruptions and changing communities. In all nations - including my own - this change can bring fear. Fear that because of modernity we will lose of control over our economic choices, our politics, and most importantly our identities - those things we most cherish about our communities, our families, our traditions, and our faith.
But I also know that human progress cannot be denied. There need not be contradiction between development and tradition. Countries like Japan and South Korea grew their economies while maintaining distinct cultures. The same is true for the astonishing progress within Muslim-majority countries from Kuala Lumpur to Dubai. In ancient times and in our times, Muslim communities have been at the forefront of innovation and education.
This is important because no development strategy can be based only upon what comes out of the ground, nor can it be sustained while young people are out of work. Many Gulf States have enjoyed great wealth as a consequence of oil, and some are beginning to focus it on broader development. But all of us must recognize that education and innovation will be the currency of the 21st century, and in too many Muslim communities there remains underinvestment in these areas. I am emphasizing such investments within my country. And while America in the past has focused on oil and gas in this part of the world, we now seek a broader engagement.
On education, we will expand exchange programs, and increase scholarships, like the one that brought my father to America, while encouraging more Americans to study in Muslim communities. And we will match promising Muslim students with internships in America; invest in on-line learning for teachers and children around the world; and create a new online network, so a teenager in Kansas can communicate instantly with a teenager in Cairo.
On economic development, we will create a new corps of business volunteers to partner with counterparts in Muslim-majority countries. And I will host a Summit on Entrepreneurship this year to identify how we can deepen ties between business leaders, foundations and social entrepreneurs in the United States and Muslim communities around the world.
On science and technology, we will launch a new fund to support technological development in Muslim-majority countries, and to help transfer ideas to the marketplace so they can create jobs. We will open centers of scientific excellence in Africa, the Middle East and Southeast Asia, and appoint new Science Envoys to collaborate on programs that develop new sources of energy, create green jobs, digitize records, clean water, and grow new crops. And today I am announcing a new global effort with the Organization of the Islamic Conference to eradicate polio. And we will also expand partnerships with Muslim communities to promote child and maternal health.
All these things must be done in partnership. Americans are ready to join with citizens and governments; community organizations, religious leaders, and businesses in Muslim communities around the world to help our people pursue a better life.
The issues that I have described will not be easy to address. But we have a responsibility to join together on behalf of the world we seek - a world where extremists no longer threaten our people, and American troops have come home; a world where Israelis and Palestinians are each secure in a state of their own, and nuclear energy is used for peaceful purposes; a world where governments serve their citizens, and the rights of all God's children are respected. Those are mutual interests. That is the world we seek. But we can only achieve it together.
I know there are many - Muslim and non-Muslim - who question whether we can forge this new beginning. Some are eager to stoke the flames of division, and to stand in the way of progress. Some suggest that it isn't worth the effort - that we are fated to disagree, and civilizations are doomed to clash. Many more are simply skeptical that real change can occur. There is so much fear, so much mistrust. But if we choose to be bound by the past, we will never move forward. And I want to particularly say this to young people of every faith, in every country - you, more than anyone, have the ability to remake this world.
All of us share this world for but a brief moment in time. The question is whether we spend that time focused on what pushes us apart, or whether we commit ourselves to an effort - a sustained effort - to find common ground, to focus on the future we seek for our children, and to respect the dignity of all human beings.
It is easier to start wars than to end them. It is easier to blame others than to look inward; to see what is different about someone than to find the things we share. But we should choose the right path, not just the easy path. There is also one rule that lies at the heart of every religion - that we do unto others as we would have them do unto us. This truth transcends nations and peoples - a belief that isn't new; that isn't black or white or brown; that isn't Christian, or Muslim or Jew. It's a belief that pulsed in the cradle of civilization, and that still beats in the heart of billions. It's a faith in other people, and it's what brought me here today.
We have the power to make the world we seek, but only if we have the courage to make a new beginning, keeping in mind what has been written.
The Holy Koran tells us, "O mankind! We have created you male and a female; and we have made you into nations and tribes so that you may know one another."
The Talmud tells us: "The whole of the Torah is for the purpose of promoting peace."
The Holy Bible tells us, "Blessed are the peacemakers, for they shall be called sons of God."
The people of the world can live together in peace. We know that is God's vision. Now, that must be our work here on Earth. Thank you. And may God's peace be upon you.
junho 02, 2009
De quem é a culpa?
maio 29, 2009
Educação sexual - Estilos
Em Portugal
Em Inglaterra
(Peço desculpa pela comparação de uma notícia tão triste como dramática, e o excelente humor dos Monty Python, mas, como se costuma dizer, rir é o melhor remédio. Quanto ao resto, reservo os comentários.)
Sobre as famílias de acolhimento de menores
Ponto prévio, e esclarecimento devido ao meu ultimo post: Sou apologista convicto de que as crianças devem ser educadas pelos seus pais biológicos, e que a falta de meios financeiros destes não deve constituir motivo para que se lhes retire o poder parental. Pelo contrário, antes deve motivar a sociedade para apoiar os pais que, apesar das dificuldades, decidem ter e educar condignamente os seus filhos.
Infelizmente no entanto, por vezes os pais chegam à conclusão que, em determinada altura da sua vida, pura e simplesmente não têm as condições mínimas de sustentar os seus filhos com o mínimo de dignidade. Nessas alturas, as crianças são invariavelmente (por iniciativa dos pais ou dos serviços sociais) entregues a famílias de acolhimento, que se comprometem a tomar conta das crianças, temporariamente.
A teoria diz-nos que mal os problemas dos pais biológicos que motivaram a entrega das crianças sejam ultrapassados, as crianças lhes sejam restituídas, para que em família possam reconstruir a sua vida em conjunto.
Tudo isto parece muito bem.
O problema, é que o papel que se espera das famílias de acolhimento é especialmente duro de suportar. A elas, está reservada a dura tarefa de dar à inocente criança o apoio que ela necessita, e isso não se resume a cama mesa e roupa lavada. Pelo contrário, envolve principalmente ou pelo menos em iguais termos afectividades, que são as bases indispensáveis de um são crescimento pessoal, intelectual e psíquico.
Assim, mesmo que as famílias de acolhimento saibam que a guarda da criança é temporária, como pode ser esperada delas que abdiquem (muitas vezes repentinamente) de anos de afectos que gratuitamente dispensaram aos filhos de outrem?
Não ignoro que porventura hajam casos em que o acolhimento das crianças não seja feito pelos motivos errados, como seja o acesso dificultado aos mecanismos de adopção. Por outro lado, parece-me também complicado e perigoso escrutinar burocraticamente os laços de genuína solidariedade social que motivam a generalidade do acolhimento de menores.
Escrevo estas linhas motivado pelos desfechos recentes dos casos Esmeralda e Alexandra. Em ambos os casos, a criança foi entregue aos pais biológicos, apesar da oposição levada ao desespero das famílias de acolhimento.
Ignoro os contornos exactos dos casos, e não obstante os rios de tinta que correram na comunicação social, em ambos os casos me pareceu que a argumentação das partes não foi satisfatoriamente transmitida para a opinião pública.
Apesar disso, não deixa de ficar a forte sensação de injustiça, e de que o “superior interesse da criança”, assim salvaguardado na lei, não terá sido o valor primordial nas decisões que motivaram os desfechos destes casos.
A análise (apoiada nesta conclusão - se não real, pelo menos intuída) de que em ambos os casos as instituições - Justiça, Serviços Sociais, Pais, Famílias – terão falhado, parece-me simplista e injusta. Prefiro acreditar que, de acordo com os princípios defendidos teoricamente por todos, tudo terá corrido da forma que tinha que correr, e que o desfecho do processo terá sido o único possível.
No entanto, quando a aplicação de princípios justos leva a desfechos que não “parecem” correctos, deve-se reflectir seriamente se os procedimentos adoptados preservam os ideais defendidos à partida.
Particularmente, acho que falta dar às famílias de acolhimento um papel mais activo na decisão de entrega do poder de paternidade. Parece-me que, mesmo que a decisão de entrega das crianças aos pais biológicos se mantenha, só com o apoio constante das mesmas se podem evitar traumas à criança, que sem duvida perdurarão durante a sua vida. Seguidamente, acharia importante que os serviços de acção social fizessem um acompanhamento efectivo das situações de acolhimento e dos pais biológicos, na tentativa que pais afectivos e biológicos entrem em guerra pela custódia da criança.
Afinal, trata-se de humanizar os serviços para casos que já são dramáticos por si, e não precisam da frieza que lhes é reconhecida.
Ps.: Não obstante manter a minha fé na correcção das decisões finais que foram tomadas, o Juiz que decidiu a entrega da criança russa à mãe biológica, quando confrontado com as imagens da mesma a bater na criança, veio a público dizer algumas coisas que são na minha opinião graves.
Após uma batalha judicial que foi longa, vir dizer que se a mãe biológica ficasse em Portugal a decisão seria outra, é mau, mas não ter uma ideia correcta dos intervenientes –nomeadamente da mãe afectiva - é mau demais para ser verdade. A reflectir também, certamente…
Outro detalhe que vale a pena mencionar: num país em que nos cafés todos são apologistas da palmadinha “pedagógica” (especialmente nos filhos dos outros), só por hipocrisia se pode compreender as expressões de horror desabrido que por aí andam relativamente ao vídeo divulgado. Mesmo, apesar de a cena me parecer claramente excessiva…
maio 19, 2009
Alfie Patten, ou a vida real aos 13 anos
Alfie Patten, é um jovem britânico que, apesar dos seus 13 tenros anos, já tem uma experiência de vida maior que muitos de nós.
Com apenas 13 anos, o jovem Patten viu-se atirado para a ribalta dos tablóides ingleses no passado Fevereiro, porque a sua namorada Chantelle, de 15, tinha dado à luz um filho. Imediatamente se ouviram clamores horrorizados em toda a sociedade, como se a triste realidade não fosse a que o país goza da pior (isto é, mais alta) taxa de natalidade entre as adolescentes da Europa (ver aqui, e aqui também).
A imprensa inglesa, na sua forma repugnantemente voraz, captou a história e todos os seus contornos mais sórdidos. As famílias envolvidas, essas, abriram as portas de par em par às câmaras fotográficas e aos microfones, para vender a aberração. Sedentos talvez de também uma ou duas fotografias, juntaram-se os imberbes das redondezas, 8 no total, a contestar a paternidade do menino Alfie. (No final, ficaram dois, apesar de a mãe jurar a pés juntos que as pretensões eram falsas). E a imprensa, fiel à sua abjecta cartilha, explorou tudo o que era passível de exploração, de forma a que todos os detalhes estivessem à disposição de quem quisesse no matutino do dia seguinte.
Finalmente, depois de milhares (de milhões) de jornais vendidos, de rios de tinta gastos, alguém decidiu impedir por força da lei a exploração do caso, e pedir testes de paternidade do bebé (aqui também).
Uns meses depois, quebra-se a imposição de silêncio, para dar a notícia que os testes de paternidade rejeitaram a possibilidade de Alfie ser o pai biológico, atribuindo a paternidade a outro jovem, Tyler Baker, com 14 anos à data da concepção.
No final de toda esta história, nada nem ninguém sai melhor que quando ela começou.
Depois, a pequena Maisie, que mal nasceu e já tem a sua vida manchada de forma gravíssima pelo comportamento inaceitável de todos os que a rodeiam. Que perspectivas poderá haver para ela?
Que dizer da mãe, Chantelle? Os adjectivos que me vêm à cabeça são intransponíveis para este espaço que se quer decente… Espero no entanto, que ao fim de 15 tenros anos, depois de sabe-se lá quantas relações em que abusou de sabe-se lá quantos rapazes (e sobre as quais mentiu perante tudo e todos), não haja lugar à recompensa de manter uma criança para a qual demonstrou com brilhantismo não ter condições para manter.
As famílias, de todas estas crianças, que falham persistentemente no seu dever de supervisão, e que são incapazes de manter uma atmosfera saudável de crescimento às suas crianças. Não há palavras para descrever a forma como pode esta, consumada a tragédia, atirar para a os jornais o caso daquela forma.
A Imprensa inglesa é sobejamente conhecida pela sua agressividade na forma como trata os temas. No entanto, desta vez ultrapassou todos os limites de si própria. A liberdade de expressão e de informação é um valor caro de todas as sociedades ocidentais, mas liberdade a mais é não ter liberdade nenhuma, e este caso demonstrou-o eloquentemente! Algo tem que ser feito para nos proteger deste tipo de imprensa.
A sociedade em geral, acéfala, acrítica, que acorda para comer para ver tv, para embebedar-se ao fim do dia e bater na mulher, que se alimenta deste lixo humano da mesma forma como consome vorazmente um hambúrguer do MacDonald’s, nada mais é que uma versão sem pelos dos macacos que nos deram origem: a derradeira prova de Darwin e da evolução das espécies está em todos nós.
Alfie Patten, a primeira e ultima vítima, foi manietado por tudo e por todos. Numa primeira altura, por uma rapariga mais velha 3 anos que abusou dele, à altura uma criança inocente. Seguidamente, foi vendido pela família aos tablóides. No final, saber que a filha que tinha aceitado como sua na realidade não o é.
No meio de toda esta história, foi o mais digno personagem. Assumiu as consequências dos seus actos, tentando sempre fazer o que era correcto.
Foi pai, e namorado leal. Defendeu sempre os que estavam com ele. No final, foi traído na sua confiança e abandonado à sua sorte. Com 13 anos.
Não consigo imaginar que sentimentos passarão pela sua alma neste momento, mas tenho a certeza que no final disto tudo, tudo o que se passou ter-lhe-á retirado o direito que ele tinha a ser criança. O resto, bem… O resto serão feridas que espero que o tempo cure o melhor possível.
Mas que nunca desaparecerão.
maio 18, 2009
O país dos casos inconsequentes
Depois dos vários casos TGV’s, de Dias Loureiro, BCP, BPN, Sócrates (nas suas variantes licenciatura, projectos de construção civil, Freeport, escrituras de casas e afins), abates de Sobreiros, Submarinos, Financiamento dos Partidos, Lopes da Mota, etc etc etc etc etc (não há memória que chegue para tanto), junta-se agora polémica sobre os números do desemprego.
Protesta a oposição, à esquerda e à direita, defende-se a instituição que prevaricou, o próximo passo, está-se mesmo a ver, é o governo e PS a assobiarem para o lado, mas pelo sim pelo não, a bloquear todas as tentativas (sérias ou não) de escrutinar a verdade, e andamos neste rame-rame que não nos leva a lado nenhum!
De um ponto de vista particular, é de admitir que o erro detectado tem influência, pois a classificação errada dos desempregados em causa pode retirar apoios vitais a quem os necessita, e/ou fornecê-los a quem não precisa absolutamente deles.
No entanto, pergunto-me, qual será o objectivo de fazer disto um calvário de sound-byte para o cidadão comum? Haverá mesmo alguma vantagem em andar a debater se são 490 ou 500 mil desempregados? Tira o governo algum proveito disto? Poderá alguém com cara séria (mesmo para um político) gabar-se de uma redução tão mísera?
Já estou aqui como o outro, só podem estar a gozar com a nossa cara!
Corrija-se o erro, e siga-se em frente por favor!
É que isto assim não pode continuar! Andamos aqui de caso em caso, mas não progredimos um milímetro em direcção alguma! Em vez de andarmos a debater o que podemos fazer para tornar este país minimamente decente, andamos a chafurdar na lama constantemente.
Exorto os senhores da comunicação social a dar pouco eco a estas banalidades. Sim, porque os senhores da nossa política com isto são coniventes, e dar-lhes o microfone é cumprir a sua agenda vergonhosa que já cansa!
Ou, voltando ao inicio do post, algum dos casos mencionados teve alguma consequência em tempo útil que repusesse a dignidade à actuação do Estado ou dos que exercem cargos nele?
maio 17, 2009
O limbo do poeta (II)
Conforme previ num post anterior, era delicada a posição de Manuel Alegre dentro do PS. E, as linhas da solução gerais de resolução do imbróglio foram hoje conhecidas. Afasta-se, pois, o decano deputado da Assembleia, sem no entanto abandonar o partido. Coisa que já se previa por certo.
A Manuel Alegre, o status quo atingido permite de facto salvar a face, numa situação que já era há muito tempo insustentável, e permite manter aspirações legítimas a um apoio politico-partidário a uma eventual candidatura às Presidenciais. O plano passará certamente para a partir de agora utilizar as plataformas que congregou à volta da sua figura (Corrente de Opinião Socialista e Movimento de Intervenção Cívica) para o manter no centro dos média e da agenda pública até então.
Por outro lado, dá-lhe a liberdade que (apesar de tudo) não tinha de intervenção e crítica às opções do governo, e, caso o PS de José Sócrates entre em colapso mais rapidamente do que o previsto, permite-lhe uma posição de partida particularmente vantajosa para o assalto aos restos que ficarem.
Assim, é uma decisão acertada, se bem que a novidade não seja de grande monta.
Relativamente à posição delicada de alguns seus apoiantes, ainda foi ventilada a possibilidade de alguns dos seus apoiantes serem repescados para as listas do PS, a título de repescagem – perdão, de piscadela de olho à esquerda do partido de esquerda.
Para Sócrates, são evidentes as vantagens da troca de M.A. por alguns apoiantes, pois permite o piscar de olhos aos descontentes internos, e inclusivamente alegar uma maior representatividade (se bem que concerteza ilusória) da sensibilidade de esquerda do partido.
O problema, no entanto, será convencer esses tais apoiantes de Manuel Alegre. Numa altura em que o principal dinamizador da discórdia sai de cena alegando “incompatibilidades insanáveis”, como é que poderá ser aceitável que os seus apoiantes (que inclusivamente pressionavam para a criação de um novo partido) se esqueçam repentinamente de tudo isso para irem apoiar o Ti Sócrates?
Só mesmo o perfume irresistível das madeiras nobres do Parlamento, para permitir uma amnésia de tal ordem!
Além disso, com o afastamento de Manuel Alegre, a altura é de José Sócrates – que, aliás, não fez questão de esconder o seu alívio pela decisão de Manuel Alegre – cantar de galo e juntar tropas em torno de si mesmo tecendo-lhe as laudes que ele tanto necessita!
Parece-me, assim, pouco credível esta notícia, que, aliás, já foi alvo de um esboço de desmentido – note-se, que M.A. nega a negociação de nomes, e não especificamente a de negociação de lugares!
Ps: Curiosa a declaração de Santos Silva. Será que quando disse que a saída de Manuel Alegre iria "contribuir para a renovação", estaria a chamar de retrógrados a uma facção não despicienda do seu próprio partido (e, por extensão, ao já celebre milhão de votos)?
maio 15, 2009
A Sexualidade Inteligente
Dos muitos estudos que se vêm por aí, eis um que apresentou um resultado muito interessante: as mulheres mais inteligentes têm mais orgasmos!
Não sei como é que se mede uma coisa destas, mas para mim faz todo o sentido! E passo a explicar porquê.
Segundo me lembro dos canhenhos de psicologia e filosofia, o Homem (e a Mulher em particular) é um ser bio-psico-socio-cultural.
Enquanto o homem tem biologicamente a função de aproveitar (tendencialmente) todas as oportunidades que surjam para distribuir a sua semente (o que, convenhamos, não exige grande inteligência, e é amplamente comprovado pelo folclore popular com expressões do tipo “pensar com a cabeça de baixo” e afins); a gestação de 9 meses que é imposta à mulher implica um processo mais cuidado de escolha de parceiro.
Assim, enquanto a sexualidade masculina é bastante simples e mecânica, a feminina é bastante complexa e envolve… Bem… Envolve… Enfim, um milhão de variáveis que apenas posso especular (pois sou homem, e faço pouca ideia – limito-me a aproveitar se e quando tenho a oportunidade). De qualquer forma, faz todo o sentido que se a confiança da mulher em si própria e na sua escolha for superior, então o sexo será mais compensador!
Por outro lado, também, se a mulher for mais inteligente, escolherá tendencialmente o melhor parceiro, o melhor amante, e, tendencialmente, aquele que proporcionará melhores sensações no “acto”. Multipliquemos isto por milhões de anos, e parece que a ligação inteligência-sexo compensador não parece nada descabida. Por outro lado, e seguindo o mesmo raciocínio, vem provar também um muito importante corolário: que os melhores reprodutores, os melhores amantes (e eu também), consideram a inteligência das mulheres sexy!
Portanto, meninas, vale bem a pena inserir na toilette para surpreender o mais-que-tudo numa noite especial - ao lado do baton ou sapatos caros a nível de importância- o belo do livro!
O limbo do poeta
Apesar de toda a crítica, velada ou não, Manuel Alegre afastou a possibilidade de se demarcar do PS definitivamente, e criar um novo partido. Parece claro, que o maior motivo é o de não fragmentar o partido em ano de eleições triplas – tal poderia efectivamente entregar o próximo governo ao PSD, o que seria o grande pesadelo da esquerda. É evidente que a ultima coisa que Manuel Alegre quer é ser visto como a pessoa que maior influência teve na eleição de um governo de direita!
No entanto, apesar de ser claro que M.A. esteja de pés e mão atados no que diz respeito às críticas que o afastam flagrantemente das orientações gerais do partido, o silêncio dele não vem sem um preço. Assim, parece claro que o silêncio de agora seja trocado por um ruidoso (se bem que amarelado) apoio do partido para as próximas presidenciais.
Na expectativa, ficam os seus apoiantes do Movimento de Intervenção Cívica (MIC) e da Corrente de Opinião Socialista (OPS), que tinham anunciado a sua vontade de avançar para um projecto independente do actual PS. A grande maior parte, portanto, parece condenada a ficar abandonada num limbo, pois, ao manifestarem o seu apoio à criação de um novo partido, excluem a sua participação em qualquer dos existentes, e, enquanto M.A. se retrai à ultima hora, muitos já não estarão a tempo de o fazer. Por outro lado, mesmo que avancem agora para a criação de um novo partido, sem a sua figura de proa o projecto estará condenado à nascença.
Parece evidente que a imagem de M.A. de idealista combativo e irredutível por ideais não tem como ficar incólume desta história. Não só se presta a abdicar do seu pensamento por um apoio partidário que lhe permita disputar umas eleições que ele certamente deseja ganhar, como “abandona” camaradas de ideologia no processo.
Talvez por isso mesmo, começam já a ser ventiladas as teorias de que M.A. “sente-se mais útil a ajudar a reorientar o PS à esquerda” do que a criar um novo partido. Mas, relativamente a esta possibilidade, não ignorará o poeta o quão maleável é Sócrates (tal como não ignoramos nós), e, consequentemente, como sucesso de tal empresa só poderá ser diminuto.
Também curiosa será ver qual a sua participação nas eleições que se aproximam. A sua permanência dentro do PS implicará quase obrigatoriamente a sua inclusão nas listas eleitorais. No entanto, caso seja candidato a deputado, ver-se-á “forçado” a fazer campanha por um projecto em que claramente não acredita. Terá estômago para tal? Permito-me duvidar… Por outro lado, mesmo que não seja candidato (o que teria que ser bem explicado à opinião pública), a sua participação na campanha (ou a sua ausência dela) serão certamente escrutinadas com toda a atenção pela opinião pública.
Será interessante ver como é que nos próximos episódios deste fait-divers consegue o PS e o seu incómodo Manuel Alegre e respectiva falange de apoio manter o delicado equilíbrio entre as conveniências ditadas pelas necessidades do momento, e a manutenção de valores que valem um milhão de votos mas em que o partido não acredita mais (e o próprio Manuel Alegre dá mostras de querer abandonar)...
maio 12, 2009
Vendo a Bela Vista…
Hesito em escrever sobre os eventos do Bairro da Bela Vista, em Setúbal. Sinto que tudo o que por lá se passa é demasiado grave para ser debatido com simplicidade.
No entanto, como o fenómeno não é novo, aproveito para relembrar os motins de Clichy-sous-Bois, em 2005.
Em 27 Outubro de 2005, a morte de dois adolescentes que fugiam à polícia deram origem a um motim em grande escala no supra citado bairro, que rapidamente se espalhou aos outros bairros da Île-de-France, e, a 3 de Novembro, a praticamente todos os grandes centros urbanos de França.
A 8 de Novembro, foi accionado o estado de emergência em todas as zonas afectadas, o que não fez com que os motins parassem até 18 de Novembro. O estado de emergência entretanto decretado foi entretanto estendido até 4 de Janeiro de 2006.
Os acontecimentos resultaram em nada menos que desacatos em 274 localidades, 2888 presos, 8973 veículos destruídos, 126 polícias e bombeiros feridos, e um prejuízo avaliado em 200M€.
(História em tudo semelhante, também em França, em 2007, aqui.)
Por cá, como por lá, os eventos que assistimos agora foram despoletados pela morte de um jovem na sequência de uma perseguição policial.
Por cá, como por lá, as raízes dos conflitos estão ligadas com a dificuldade de integração das comunidades emigrantes, que são invariavelmente encaixotadas em guetos periféricos e sem trabalho ou esperanças de o obterem.
Talvez, também, cá como por lá, a predominância de uma certa contra-cultura por entre os mais jovens, conjugada com a passividade de uma sociedade que não providencia o apoio a estas populações especialmente necessitadas necessitam, tenham contribuído para os acontecimentos.
Talvez, no nosso caso, tenhamos a agravante de uma crise económica que vem apenas piorar uma região inteira, que é densamente populada e que se encontra já de si deprimida.
Reconhecendo tudo isto, parece-me evidente que o problema não se resolve por si, e que algo deve ser feito para apoiar as populações mais carenciadas.
Mas, por outro lado, pergunto-me em que pensarão estes cidadãos, que sabem fazer molotov’s (cocktails, não pudins) em doses industriais, e que se acham no direito de atacar as forças policiais, ou de fazer demonstrações na rua como as que fizeram nestes dias. Poderão sinceramente achar que isso poderá ser?
É um estado de coisas intolerável o que estamos a ver, e, independentemente das razões que possam ter, há que capacitar as pessoas para as mais básicas regras de urbanidade.
Ps: Em França, o à altura Ministro do Interior, classificou os jovens que participavam nos motins como “escumalha”. No final dos motins, a sua popularidade estava no topo, o que culminou com a eleição de Nicolas Sarkozy para a Presidência Francesa. As populações das zonas carenciadas, essas, pouco ficaram a ganhar com os acontecimentos... Será tudo igual entre Clichy-sous-Bois 2005, e Bela Vista 2009?
maio 07, 2009
Intermission
Antes de desligar, não posso deixo-vos a todos, prezados e estimadíssimos fregueses, a despedida que merecem, com a programação de amanhã e prendinha no fim (há que ter paciência, porque dos pacientes será o Reino dos Céus)!
Espero que gostem, e voltem sempre!
Até ao meu regresso!
maio 06, 2009
Não à descriminação na piscina!
O problema, no entanto, é que a Fédération Internationale de Natation (FINA para os amigos), organização encarregue da modalidade, recusa-se a aceitar praticantes masculinos.
Estaremos perante um caso de descriminação? Antes de debater isso, importaria aferir se haverá algum inconveniente que não permita que a modalidade seja mista. Afinal, na esmagadora maioria das modalidades, as senhoras competem em separado dos homens. Tal não é o caso, por exemplo, dos desportos motorizados (a fórmula 1 já teve inclusivamente algumas pilotos).
Mas, à partida, não vejo qual poderá ser o problema de uma competição mista na natação sincronizada, para além do facto (masculino-chauvinista, admito) de ser incomparavelmente mais agradável ver as meninas a bailar na água que homens feitos. No entanto, nada que me impeça de manifestar desde já o meu apoio incondicional e inequívoco ao amigo Niklas, bem como repudiar esta aparente descriminação, que, a confirmar-se, é inaceitável em pleno século XXI.
Ou, terão os senhores da FINA medo que os homens sejam melhores?
Niklas, desejo-te sinceramente e do fundo do coração boa sorte na tua conquista. Porque, como diria o poeta:
Pedra Filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.António Gedeão
Anotamento sobre arte (ou, sobre História da arte)
O que se passou de facto, poderá não ser devidamente esclarecido. No entanto, parece-me muito mais razoável esta tese que a que afirma que ele se teria cortado a ele próprio, num acesso de loucura.
Afinal, há Amizades que nem visões da vida nem orelhas arrancadas conseguem quebrar...


Ps: Dedico este post a todos os que sabem o que é Amizade assim.
Verdades ilusórias
A primeira, a notícia de que Alberto Costa, o actual Ministro da Justiça, terá estado envolvido num caso de pressões em 1988, tendo inclusivamente sido exonerado do cargo que desempenhava na altura, que era nada mais nada menos que Director da Justiça em Macau (à altura, uma região autónoma de Portugal). Há varias coisas notáveis nesta história.
Segundo consta na própria notícia, José António Barreiros, que em 1998 tinha exonerado o presente Ministro, terá acusado em 2005 Alberto Costa de "conduta imprópria". E, o que era essa tal "conduta imprópria"? Segundo palavras do próprio Alberto Costa, foi motivo ridículo: ter dado ao Juiz do processo TDM (em que o presidente da Televisão de Macau se encontrava preso) "uma opinião sobre uma matéria de índole jurídica" (no sentido da sua libertação, claro!).
Acrescenta o Douto Ministro que os factos de que foi acusado foram alvo de um inquérito em que se concluiu que "não se comprovou existência de pressão", pelo que foi logicamente absolvido, e a sua exoneração foi anulada.
Ora bem, admitamos que assim é. Mesmo não existindo pressão, será legítimo que um titular de um cargo politico-administrativo, ou político, ou administrativo, ou seja lá o que fôr, se venha a desviar do seu caminho, para dar "opiniões jurídicas" aos profissionais da Justiça? A título de quê? Com que objectivo? Como não o estou a ver a dar "opiniões jurídicas" aos sete ventos e a torto e a direito, só posso conceber que seja por algum laço de amizade (que essas coisas não conhecemos) a algum dos intervenientes titulares no processo: acusado, ou acusador. Como o caso se veio a saber, e a "opinião" favorável ao acusado, só posso assumir que o conselho ao Magistrado não tenha sido puro e desinteressado! Ora, neste caso, tem este senhor a idoneidade obrigatória para a representação de altos cargos do Estado?
Relativamente a isto, importa divulgar também a resposta à notícia de José António Barreiros (aqui). Ora, o que 21 anos depois vem dizer o ex-Secretário de Estado, é que basicamente houve uma protecção de alguém do Aparelho de Estado que terá culminado com a retirada da justificação da exoneração do despacho, sem a qual evidentemente a mesma não pode ser considerada válida (sugiro a leitura da resposta). É esta a tarimba de quem nos governa. O que é pena, é que neste caso como em muitos outros, todos ficamos a perder com a demora no esclarecimento da verdade.
Num registo mais abrangente mas nem por isso menos sério, vale a pena ler a Entrevista de Medina Carreira ao Correio da Manhã. De vez em quando, lá vem a Comunicação Social convidar este senhor a falar sobre o estado do País. E ele, solícito, lá vem. A mensagem, essa, é sempre a mesma. Não muda uma virgula! Eu, pessoalmente, concordo largamente com a mensagem que ele transmite. Mas, assim também não me parece que seja a melhor forma. Assim é transformar assuntos, em que era importante haver debates e reflexão, em ferramenta de marketing para vender mais às audiências. Importante mesmo, era contrapor em acareação pública os notáveis da sociedade, para saber o fundamento ou não do que ele diz...
Ps.: Não sei até que ponto é familiar ao comum dos mortais, mas ao que parece, o momento que atravessamos a nível é motivo para uma guerra sem quartel. O problema é, numa altura em que todos temos de escolher que tipo de visão macroeconómica queremos que nos governe, como é que conciliamos o que diz Medina Carreira com o que se pode ler aqui? Na resposta a esta pergunta, está o Portugal que queremos...
maio 03, 2009
Indignidades..
Não deixo de me arrepiar cada vez que estes casos de descriminação gravíssima vêm à praça pública. Mas, o que mais impressiona é a lei da rolha que impera na administração do Estado e que emperra a reparação das ilegalidades - cometidas pelo próprio Estado - com a diligência e rapidez exigível!
Compreende-se que, após um parecer da PGR e mais um da Provedoria da Justiça, ambos dando razão às agentes, o pagamento dos suplementos em falta não sejam feitos imediatamente, e ao invés se esteja à espera de uma homologação do Ministério da Administração Interna? Para quê?
Que efeitos poderá ter essa homologação?
Precisarão os senhores da tesouraria do PSP de um carimbo do Ministério que lhes dê permissão de inteligência para entenderem o texto dos pareceres?
Ou, (pasme-se!) prepara-se o famigerado Ministério para apresentar argumentos técnico-jurídicos em duelo até à morte ao nascer do sol, contra as vis Procuradoria e Provedoria, que ousaram defender grávidas no meio da vilania perpetrada nas esquadras de polícia nacionais?
Claro que, na impossibilidade de contestar os pareceres, faz-se a segunda melhor coisa: mete-se o parecer na gaveta e finge-se que nada de inconveniente aconteceu!
De qualquer forma, esta é apenas parte do problema: eu até acredito, sinceramente, que as altas esferas quer do Ministério quer da PSP estejam neste momento tão surpresas como eu a ler a notícia, e que o problema não deixará de ter solução em breve. Mas, se assim for (e eu espero bem que seja), realça um detalhe que não deixa de ser interessante - e, ultrajante -, que é o da maioria das injustiças e ilegalidades que o Estado cometem terem na sua origem não as cúpulas dirigentes (embora também estas sejam imunes, claro), mas funcionários intermédios que deveriam dar provimento ao seu serviço e não dão, porque julgam que é o seu dever o de poupar uns tostões à fazenda nacional - especialmente se não concordam com a fundamentação da questão, e independentemente do que diz a lei.
(Infelizmente sei do que falo, pois já senti na pele a discrecionariedade dos funcionários estatais, quando a eles estive obrigado por dever funcional, e sei como é fácil distorcer a lei de determinada forma a que determinada pessoa/classe seja reduzida na sua dignidade ou manietada de forma tida por conveniente - muitas vezes apenas por inveja! É triste que assim seja, e que as pessoas não se limitem a fazer o seu trabalho com diligência e profissionalismo.)
Espero que a situação seja corrigida o quanto antes, e as agentes que estão credoras de uma entidade patronal que não as respeita recebam o que lhes é devido. Seria um bom começo.
O que gostaria, é que os responsáveis pela "jurisprudência" deste tipo de situações fossem de facto responsabilizados pelos danos que causam aos funcionários envolvidos, e também à imagem da instituição que é suposto servirem! Seria um belo final.
Já agora, que se esclarecesse porque motivo é que um polícia que leva um tiro no exercício do dever tem de comprar uma farda nova; ou se vir o seu carro patrulha danificado numa perseguição policial tem de ressarcir o Estado pelo valor da reparação da viatura. Isso então, seria ouro sobre azul.
Ps: Por falar indignidades, o que dizer do que aconteceu no Amadora-Sintra, em que um idoso foi transferido para o hospital da sua residência, em Ponte de Lima, sem uma única peça de roupa no corpo? Qual foi o funcionário/enfermeiro/médico que achou que era melhor poupar o dinheiro de um pijama usado à instituição que dar o mínimo de condições de dignidade a um idoso doente que vai para mais perto de casa?
Nutricionistas ajudam a combater a crise
A coisa está muito bem feita, ementas variadas e umas "dicas" de como poupar. São 6 refeições(!) diárias, 7 vezes por dia, durante um mês - tudo, segundo nos dizem os nossos amigos nutricionistas, abaixo de 4 euros por refeição!
Mesmo as quantidades são controladas milimétricamente, o que me cheira que dada a nossa voracidade latina habitual, significa o mesmo que "não dá para encher a cova ao dente". Mas, dada a aproximação do verão, e as consequentes preocupações com a linha, uma dietazinha certificada por nutricionistas (de borla e barata) é capaz de não ser assim tão mau, não é?
Vale a pena dar uma espreitadela! Mesmo que não sigam à risca, se forem como eu, que a maior parte das vezes acabo por comer uma porcaria qualquer apenas porque não tenho inspiração para nada em particular, pode ser que a lista dê umas ideias suplementares no momento de preparar o repasto...
