novembro 07, 2009

Pare, Escute, Olhe

Um documentário que promete e sobre um tema frequentemente esquecido.

Num país em que as assimetrias são debatidas por todos, mas apenas no plano socioeconómico, é de valorizar um olhar lúcido para o abandono a que é votado o nosso interior!

Já que não podemos todos viver em Lisboa e Porto...

A ver!

Já agora, fica mal a um responsável político dizer que "Só falta cimento"!

Quando um país é governado sobre esta perspectiva, quais são as suas possibilidades de futuro?

novembro 03, 2009

Muse- Blackout

Peço desculpa repetir a banda, mas esta música é algo de... Muito bom!

Enjoy!...

Don't kid yourself,
And don't fool yourself,
This love's too good to last,
And I'm too old to dream...

Don't grow up too fast,
And don't embrace the past,
This life's too good to last,
And I'm too young to care...

Don't kid yourself,
And don't fool yourself,
This life could be the last,
And we're too young to see...

novembro 02, 2009

O sindicalismo na Justiça (?)

Foi com grande surpresa que li o editorial desta semana do jornal "Expresso", que pode ser lido aqui, na parte em que se refere negativamente ao sindicalismo na Justiça.

Desconheço o que terá motivado a reflexão do "Expresso". No entanto, e embora não pertença ao meio jurídico – ainda que tenha familiares no mesmo - desconheço as novidades de actuação dos sindicatos das magistraturas a que o mesmo autor se refere.

Reconheço porém, que essa actuação possa não ser perfeita, e que peque demasiadas vezes por um corporativismo exagerado. No entanto, não me parece que o corporativismo das magistraturas seja maior - antes pelo contrário - do que o corporativismo patente noutras classes, nomeadamente na dos Advogados, ou na dos Médicos.

Portanto, parece-me inusitado o artigo.

Não obstante, a oportunidade da discussão não invalida a justeza dos argumentos, e, nesse plano, já que o "Expresso" abre o debate, deixarei aqui o meu modesto contributo.

A Justiça deve ter um lugar central numa sociedade digna e dita civilizada. Não sei é se a Justiça é "um dos maiores falhanços das 3 décadas e meia de Democracia", mas concordo que não vai bem.

Mas, serão mesmo os sindicados os principais culpados do descalabro?

Na realidade, não me lembro da última actividade dos sindicatos que tenha posto em causa o funcionamento da Justiça. Pode ser defeito de juventude (que já não é assim tanta quanto isso, infelizmente), mas não me recordo da ultima greve da magistratura. Deve ser das poucas classes do sector público que não fizeram greve nos últimos tempos.

Claro que se pode considerar que a culpa dos sindicatos na degradação da qualidade da Justiça decorre precisamente da inacção. E, nesse aspecto, há muito por onde apontar.

Refere o "Expresso" que a Justiça é "um dos maiores falhanços em três décadas e meia de democracia em Portugal". Mas será que poderia ser de forma diferente?

Dou alguns exemplos, que me parecem que merecem reflexão.

Antigamente, os tribunais eram lugares de imponência arquitectónica. Hoje em dia, o Estado vende-os, para criar as chamadas "cidades judiciárias", que mais não são que escritórios arrendados pelo Estado a particulares em zonas decrépitas e/ou falhadas das grandes metrópoles, e que constituem umas das mais espectaculares manobras especulativas dos últimos tempos. Os poucos "Palácios de Justiça", como eram chamados, que ainda subsistem, caem em ruínas, tal é o desinvestimento.

Por outro lado, a criação dos denominados "mapas judiciários" - que são contestados quase unanimemente por todos os actores do sistema de justiça, ao que julgo saber - parece completamente desfasada das realidades do terreno.

O estabelecimento de "tribunais especializados" em determinada matéria colocados apenas em determinadas zonas do território nacional, contribui largamente para o afastamento das populações da Justiça, ao implicar custos maiores para intervenientes e testemunhas, que se têm de deslocar por vezes dezenas de quilómetros para comparecer às audiências - ao invés de, como antigamente, se deslocar o tribunal às pequenas localidades.

A produção legislativa - como foi denunciado pelos media - nunca foi tão prolífica, mas também de tão baixa qualidade. A quantidade de leis que são aprovadas pelo poder legislativo, emendadas antes de entrarem em vigor, e remendadas ao longo dos anos, é pura e simplesmente inaceitável. A isto, acresce o fenómeno relativamente recente das leis feitas à medida.

Quem desconhece a denominação do "Código Casa Pia", relativamente às alterações todas que fizeram ao Código Processo Penal? Será que alguém considera a norma que determina que "a prática continuada de um mesmo crime sobre uma mesma vítima ao longo do tempo constitui apenas um crime", uma medida justa, e completamente desprovida de interesse em um ou outro processo mais mediático?

Terão sido alguns diplomas-chave do nosso ordenamento jurídico feitos, no superior interesse do povo Português?

Permitam-me discordar, e relembrar os casos também da Lei das Armas, do Estatuto dos Açores, da Lei de Segurança Interna, Lei de Organização da Investigação Criminal, e da Lei-Quadro de Política Criminal, e do já referido Código do Processo Penal.

No meio do “pântano legislativo” em que o País se encontra, como será possível prestigiar o que quer que seja?

Refere também o semanário que os magistrados (juizes e, mutatis mutandis, magistrados do MP) "são hoje em dia um dos grupos socioprofissionais mais privilegiados na sociedade portuguesa".

Pode até ser verdade.

No entanto, parece-me que, com fundamento de melhorar o funcionamento do Estado, poucos terão sido os grupos socioprofissionais tão sacrificados. Dos privilégios que se apontavam, pouco resta.

O período de férias, que de semelhante ao do calendário escolar passou a ser igual ao do resto dos trabalhadores, e mais, com a imposição extra de as férias serem gozadas no período de "férias judiciais", mesmo que tal não seja do interesse do magistrado.

O subsistema de saúde, ao que parece um dos poucos que era sustentável (e sustentado pela classe), foi encerrado, e substituído pela muito menos vantajosa ADSE. Os únicos beneficiários do antigo subsistema do Ministério da Justiça, ao que parece, são os Senhores Deputados da Assembleia da República.

Quanto aos restantes privilégios... Serão assim tão escandalosos, que mereçam reprovação nos termos que o Editorial usa?

Sem uma concretização, torna-se difícil saber do que fala exactamente...

Neste panorama, concluo que os sindicatos têm tido um papel bastante didáctico perante a opinião pública, e não têm constituído um bloqueio ao normal funcionamento da Justiça. Aliás têm, inclusivamente, concretizado concessões difíceis de conciliar com a dos interesses dos seus associados. Não sendo eu um sindicalista, acho que a chamada de atenção para os sindicatos nestas premissas, mais não é que arranjar bodes expiatórios para os problemas, ao invés de os resolver.

Texto actualizado a 3 Novembro: Retiradas referências a Henrique Monteiro, director do "Expresso", pois o Editorial referido não vem assinado. Ao visado, as minhas desculpas.

outubro 27, 2009

Muse - Feeling Good :-)

Birds flying high
You know how I feel
Sun in the sky
You know how I feel
Breeze driftin' on by
You know how I feel
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me..
And I'm feeling good

Fish in the sea
You know how I feel
River running free
You know how I feel
Blossom in the trees
You know how I feel
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me...
And I'm feeling good

Dragonfly out in the sun
You know what I mean, don't you know
Butterflies all out having fun
You know what I mean
Sleep in peace
When, the this day is done
And this old world
Is a new world
And a bold world
For me...

Stars when you shine
You know how I feel
Scent of the pine
You know how I feel
yeah, freedom is my lie
When you know how I feel
It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me...

yeah, ooh
Oh, ooh...

Oooh, ooh..free, free loving you...
Oooh, oooh
Feeling good

outubro 14, 2009

O Quarto Poder

Spot promocional da SIC notícia, aparentemente já de 2008, mas que desconhecia.

Muito interessante o texto, embora um pouco lírico. Para um spot de promoção à actividade jornalística, tenho algumas dúvidas que consiga o objectivo de enaltecer a mesma.

Ainda esta segunda feira, vi debatido o quarto poder no seu expoente máximo no programa da RTP1 "Prós e Contras", nomeadamente no caso das (alegadas) escutas ao Presidente da República.

Aparentemente, a história das escutas foi apresentado por um acessor do Presidente, num cafezinho discreto e obscuro de Lisboa, com o objectivo de "fabricar" uma notícia. Um caso clássico de promíscuidade entre poderes.

17 meses depois, o Público publica a história. O timing provavelmente não seria o desejado, mas aparentemente haveria matéria de facto suficiente para justificar a publicação da história. Perante o silêncio da Presidência , o PM classifica o caso um "disparate de verão", e a história morre.

Poucos dias antes das eleições legislativas, o DN recupera a história, para revelar as fontes dos colegas do Público. Um caso típico de falta de ética e deontologia - e, eventualmente, um crime.

A divulgação do famoso email alterou definitivamente o curso das eleições - o PSD, que vinha a recuperar nas sondagens paulatinamente, viu-se irremediavelmente envolvido na história, caiu a pique nas intenções de voto e foi incapaz de recuperar a tempo. Um exemplo poder do "quarto poder" no mundo actual.

Devíamos todos reflectir sobre as consequências deste caso, e agir de forma a que o "quarto poder" seja de facto dignificado.

Se a conclusão é a de que o poder da imprensa é grande, como o é dos políticos, dos tribunais, etc, então devíamos exigir regulação sobre esse poder da mesma forma, e regras deontológicas compulsórias, não é?

Deixo a reflexão...

setembro 04, 2009

Cancelamento do Jornal de 6a da TVI

Resposta ao post de Paulo Querido, "Ao fim do dia de ontem, balanço objectivo da suspensão do Jornal Nacional".

Vou tentar responder à questão que nos põe, tão objectivamente quanto tenta ser no seu artigo.

Parece-me evidente que um gestor que chega a uma empresa deve escolher a sua equipa. Mas, escolhe a sua equipa no momento em que entra em gestão, aceitando as consequências das suas decisões. Não ignoro a tempestade que a saída de Manuela Moura Guedes ao mesmo tempo de José Eduardo Moniz iria provocar, mas seria a única forma de a administração lidar com a situação de forma mais ou menos "limpa".

Quem tomou a decisão de cancelar o jornal de 6a (não é ainda claro, para mim, de onde é que partiu a decisão) nesta altura, não pode ignorar a suspeição que a decisão iria gerar, por muito legítima que ela possa ser (e não me parece que seja). Afinal, quer estejamos a falar de alguém do meio político ou empresarial, Português ou Espanhol, estaremos sempre a falar de gente de topo, inteligente, batida...

MMG não se casou com JEM a semana passada. Portanto, o que é que se alterou desde o momento em que o último saiu da TVI e ontem? O regresso do Jornal e uma peça do Freeport, eventualmente com dados novos, que de estar pronta ainda estamos para perceber se será exibida, ou não...

Olhando por outro prisma, se os motivos para o cancelamento do jornal são económicos, como a empresa tenta passar, onde é que está a gestão de ter uma equipa de pessoal a preparar um Jornal, com spots publicitários e tudo, para o cancelar de véspera? Não sou jornalista e da matéria conheço muito pouco, mas não posso acreditar que a estrutura de um Jornal seja barata de montar, para se poder abandonar o investimento com esta leveza... Para além do que se perde em valor, pois - goste-se ou não - o Jornal da 6a era dos maiores activos da estação de Queluz em termos de audiências!

Assim, face ao exposto, a decisão não pode ser considerada um inocente caso de gestão. Algo de muito errado se passou...

A verdade deste caso, infelizmente, talvez nunca venhamos a conhecê-la, ou, se eventualmente ela vier ao de cima, será já demasiado tarde para evitar as suas consequências...

Discorda do que acabei de expor?

setembro 01, 2009

Elastica - 2:1

Keeping a brave face

In circumstances is impossible

Cannot describe

So many decisions

It's impossible

To know which is

The proper order

The best position to be in

take advantage

or so it seems

the way it goes


Sandman comes (it's tragic)

Two to one (laid down on your side)

In the dark (Too easy)

Dark reflections (you know that you know)

In my head (You're soaking wet)

In my bed (You talk too much)

Again (It's not necessary)


Sandman goes (Before the ice melts)

Two in tow (I just want to say)

Wet and dumb (this packet's yours)

Three's the number (Don't ask for more)

Coming down (Cos somewhere along the line)

Coming round again (I've forgotten already

agosto 30, 2009

Programas Eleitorais

Com a apresentação do programa eleitoral do CDS-PP, Portugal ficou a saber os programas eleitorais para os partidos nas próximas legislativas.

Ou, terá mesmo?

Apesar de todas as polémicas geradas pelos resultados das eleições europeias, talvez não fosse desprovido de algum interesse a realização de uma sondagem, para saber qual é afinal a percentagem da população que se digna ler os textos que são tão laboriosamente preparados pelos nossos partidos políticos.

Mas, na ausência de estudos científicos que demonstrem, com graus de certeza mais ou menos infalíveis, qual o impacto destes documentos para a decisão dos destinos do nosso país, vou ter que me contentar com a minha experiência pessoal.

Não sendo propriamente um ancião da sociedade, levo no entanto já algumas eleições no currículo. Como bom cidadão que sou (ou, tento na medida da minha consciência ser), participei em todos os plebiscitos a que fui convocado - com a excepção do segundo referendo para o Aborto e das ultimas Europeias, visto que em ambas as ocasiões impedido de comparecer por motivos profissionais que me obrigam a ausentar periodicamente do país.

De todas as vezes que me desloquei a uma assembleia de voto, fui plenamente convicto no meu sentido de voto. Conheço a sensação de acompanhar com o meu papelinho a maioria dos papelinhos entregues, e também conheço a sensação de sentir que a maioria optou democraticamente uma escolha diferente da minha.

Sempre me senti minimamente informado quando fui votar. E, no entanto, nunca li os programas eleitorais!

Desta vez, e visto o número de intervenções que têm vindo à praça pública mencionando as falhas deste, as promessas irreais daquele, as supostas semelhanças escritas neste e naqueloutro, decidi ir conhecer os bichos e decidir por mim próprio. E eis o que encontrei:

Programa Eleitoral do PS (120 páginas)

Programa Eleitoral do PSD (40 páginas)

Programa Eleitoral do PCP (52 páginas)

Programa Eleitoral do BE (110 páginas)

Programa Eleitoral do CDS-PP (261 páginas)

Programa Eleitoral do MEP (68 páginas)


Ora bem... Isto daria 120+40+52+110+261+61= 651 páginas para ler. Bem sei que são menos, que há fotos e capas e contracapas e itálicos e bolds e fotos e as letras são grandes blá blá blá blá... Mas são 651 páginas aquelas que me esperam, cidadão consciente e literado, se quiser saber a fundo onde por a cruzinha daqui a 27 dias (mais um para reflexão). Isto, claro, se quiser apenas estar dentro dos conteúdos dos 5 partidos do costume, mais o mais votado dos partidos pequenos. Nem quero imaginar, se tiver que ler os programas eleitorais dos restantes partidos que irão concorrer às eleições...

Claro que isto dá "apenas" 24,1111111... páginas para ler por dia, algures no meio dos afazeres da família...

Mas, como sou um cidadão responsável e cioso do meu voto, não vou dispensar um período mais alargado de análise e comparação dos programas nos pontos mais sensíveis. Digamos, uma semanita só para comparações e análises do que nos prometem para os próximos 4 anos. Portanto, temos 20 dias para ler os programas, o que dá uma média de 32,5 páginas para ler por dia.

Nada mau!

Até pode ser remotamente realizável, para o comum dos mortais, o exercício de cidadania que nos é proposto, mas parece-me evidente que no fim de ler tanta coisa, o que restará será o irritante zumbido de uma valente dor de cabeça!

A este propósito, parece-me muito razoável a escolha que alguns partidos tomaram de elaborar programas curtos, notavelmente o programa do PSD, que foi tão criticado pelo seu carácter... Minimalista.

O que acaba por acontecer, é que quem lê os programas eleitorais são as estruturas e militantes dos próprios partidos, por forma a que possam afinar o discurso com os grandes chavões superiormente aprovados. No entanto, como estas pessoas (e, enfim, os simpatizantes não militantes) já votariam à partida no partido cujo programa se dignam a ler, é duvidável que algum esclarecimento público de monta venha a resultar da sua publicação.

É como perguntar aos adeptos de uma claque de futebol se acham que a sua equipe vai ganhar...

O comum do cidadão (neste caso, eu!), esse... Está irremediavelmente entregue à bicharada (leia-se, propaganda)!

Salve este País a memória, curta mas não inexistente, do que andaram a fazer aqueles senhores todos nos últimos 4 (ou 8, ou 80) anos... E cada qual decida por si!

Ps: O CDS-PP lançou um repto aos partidos para que abdicassem dos outdoors de publicidade nas campanhas eleitorais, aparentemente um dos items em que os partidos mais investem. Apoiado, por todas as razões apontadas e não só a questão do dinheiro! Para poluição, já basta (quase) tudo o resto...

Ps2: É uma verdadeira obscenidade, num país que atravessa as dificuldades que atravessa, o volume de dinheiro que se planeia investir nas campanhas eleitorais. Um recado para todos, mas principalmente à esquerda, que unanimemente planeia aumentar as verbas destinadas ao sufrágio... Ou, será uma forma de reactivar a economia?

agosto 29, 2009

Waterbaby- Sneaker Pimps

Youre heart is served cold
Youre sights are set in perfect stone,
And when you go you go alone,
And when you stand youre on your own,

I wash the streets from your skin when you come home x2

Were nothing like friends,
You have no time to lend,
And if youre guilt then Im the shame,
And if Im hurt then youre the blame

You wash my trace from your skin and you leave again x2

Random laid plans, 40 days of one night stands,
And when you go you go alone
You walk the cross you made your own

I wash the streets from your skin when you come home x2

agosto 23, 2009

A comunicação no séc. XXI

Parabéns à jornalista Isabel Coutinho, que respondeu afirmativamente ao desafio de passar uma semana sem acesso às novas tecnologias da informação - Telemóvel, Internet, ebooks, etc. Acessível, apenas o que estava à mão de semear na década de 80. A história é contada no Público de hoje (aqui), e merece ser lida.

Para um jornalista, estar impedido de aceder aos últimos desenvolvimentos do mundo em tempo (quase) real, é extremamente limitativo. Assim, a história reveste-se de um dramatismo que não acredito que seja exactamente o de um cidadão comum.

Vou contar-vos a minha experiência. Também não sendo exactamente um caso típico, penso que minha experiência toca a da jornalista Isabel Coutinho nalguns pontos.

Trabalho num navio, e por motivos profissionais faço uma rotação de 5 semanas a bordo, após o qual volto a Portugal e tenho direito a 5 semanas de descanso.

A minha primeira experiência no mar, foi poucas semanas após acabar a licenciatura, em 2004. Fresquinho a sair da faculdade fui convidado por um professor a acompanhar uma campanha, algures para as bandas do Banco de Gorringe.

- A campanha, será a bordo do D. Carlos, e terá a duração de 15 dias.
- Vamos a isso!
- Será que não enjoas? Não te quero para lá a morrer todo verde, aquilo é para aproveitar!
- Hmm... Não sou muito de enjoar, nem mesmo quando fui às Berlengas...
- Ok, ficamos a contar contigo então. Aquilo vai ser com colegas franceses e italianos, portanto deve ser uma boa experiência para ti também.
- Está combinadíssimo!

E combinado ficou. A dura realidade, essa, veio pouco depois. No mar, não haveria telemóvel, nem internet, nem tão pouco telefone sequer!

Foi o pânico!

Impossível dar o dito por não dito. Lá fui.

A ausência total das comunicações foi corrigida em parte pelo voluntarismo da guarnição, que lá arranjou forma de estabelecer uma ligação de email por satélite - uma conta de correio para toda a gente, apenas texto, nunca imagens nem anexos nem nada que o pareça! Para enviar, escrever tudo e guardar a mensagem. Para receber, o remetente deveria escrever no assunto da mensagem o nome do destinatário. Duas vezes ao dia, o oficial de comunicações faria a ligação ao servidor, e enviaria e receberia as mensagens de toda a gente. Por outro lado, vim a saber que havia um número de telefone que se podia usar para contactar os navios. A chamada ia para um centro de comunicações da Marinha, e depois era transmitida via rádio para o navio - a comunicação, feita em canal aberto, estava acessível a qualquer pessoa com um rádio amador e instintos voieuristas, mas quando as saudades apertam esse é o menor dos problemas!

Claro que na esmagadora maioria do tempo havia o gigante vazio comunicacional. Nem notícias da família, nem do mundo. Como com o email, havia um resumo diário(Seria bidiário? Semanal?) das notícias mais importantes, que vinha pelo sistema de comunicações do navio, mas como tudo o que implicava contacto com o exterior, era muito curto, muito rápido, muito insipiente, muito rombo, indefinido... Nada satisfatório!

A ausência absoluta de contactos com o exterior foi extremamente penosa para todos os que, no mar e em terra, eram novatos naquelas lides. Habituado que estava ao contacto diário com família, namorada, amigos, cada segundo que passava era como uma falta de ar de saudade pura, um contar eterno de dias horas minutos segundos até ao próximo email.

Nunca hei-de esquecer o que senti quando recebi uma chamada. Já não sei que fazia, quando me vieram chamar à sala de comunicações, e me explicaram como operar o rádio: tal qual um walkie-talkie, ou os rádios da polícia e do táxi, tinha que se carregar num botão para falar. O som, ouvia-se em toda a sala. Quando estava pronto, o operador dava autorização para se estabelecer a ligação, e podia-se falar. 3 Euros por minuto. Os 5 minutos que a chamada duraram foram de uma alegria indescritível, um aliviar de um sentimento de privação que não cabe em palavras.

Hoje, alguns anos passados sobre essa experiência, continuo a fazer do mar a minha vida. Felizmente, as condições do sítio onde agora trabalho são bastante melhores, há internet, e lá vou tendo a liberdade de usar o telefone ocasionalmente. Leio o jornal todos os dias, e falo com família e amigos pela internet.

Quando, ocasionalmente, o serviço de comunicações falha, já não me custa tanto como daquela primeira vez... Acho que lá me fui habituando... A maior preocupação, é sempre a de avisar as pessoas que há problemas com a ligação, mas que de resto está tudo bem - afinal de contas a possibilidade de naufrágio é sempre uma possibilidade mais sentida que real.

No essencial, a internet, continua a ser principalmente um cordão umbilical para o mundo e para as pessoas que continuam em meu redor. Claro que lá vou postando aqui de vez em quando, mas muitos são os dias que passam - a maior parte, quando estou de férias - sem que aqui escreva.

Continuo com a noção muito clara que viveria na mesma sem internet... Mas, como diz no anúncio, não seria a mesma coisa!

agosto 22, 2009

THE THE - DUSK - BLUER THAN MIDNIGHT

Esta vem do fundinho...


Save me, save me, save me
Save me, save me, save me.

The candles are lit. the curtains are drawn.
Theres still no sign of rain nor dawn.
Our lips touch. our limbs entwine.
But the ghosts that haunt me wont leave my mind.

Save me, save me, save me
Save me, save me, from myself.

One sin leads to another one.
Oh, the harder I try
I can never, never, never find peace in this life.
I ask myself where does lust come from
Is it something to yield to or be overcome.
I ask myself
Why love can never touch my heart like fear does.
Why cant love ever touch my heart like fear does?

agosto 21, 2009

Lamb - Till The Clouds Clear @ Lowlands

What's left to say with all that's come and gone
Words get in the way and anyway the devils got your tongue
And a storm brews inside and there's nowhere to hide
It's gonna blow your cover sky high
If you let this thing go, it's gonna burn, it's gonna burn
You're gonna take the whole world with you when you go

Oh oh oh what you gonna do ?
When the storm takes over
Oh oh oh what you gonna do ?
When the storm takes over

So here you are, demons screaming in your head
You try to shut them out but they just get louder instead
And nothing you do can seem to break through
This darkness smothering you
When it takes hold, your heart turns cold
The very soul seeps out of you

Oh oh oh what you gonna do ?
When the storm, the storm takes over
Can you hold this thing
Can you hold this thing
Oh oh oh

'Til the clouds clear

agosto 18, 2009

País de tanga? Ou sem ela?

Noticia o Expresso que as vendas de roupa em Portugal caíram substancialmente.

Estará o país finalmente de tanga?

Pelo sim pelo não, os senhores do semanário tomaram em mãos o assunto, e desponibilizaram também informação sobre o III Encontro Ibérico de Naturismo, que decorre no Monte Naturista "O Barão", em pleno Alentejo.

A ver, sem dúvida...

agosto 17, 2009

Meia noite e meia na estação de comboios da Campanhã.

Por entre as sombras da noite, pode-se observar a subtil dança protagonizada pelo pobre indigente que procura um recanto abrigado para pernoitar e os seguranças que - fechando os olhos à injusta situação - não podem no entanto deixar de acompanhar o senhor e certificar-se que a liteira do desgraçado não incomoda os demais utentes daquele espaço.

Esses, por outro lado, aguardam, aparentemente imunes à injustiça social e humana que é a de, numa sociedade de luxo e desperdício, a de não haver quem tenha sítio para dormir. São, tão só e apenas, sombras refasteladas na penumbra da noite húmida e fria portuense, atenuada pelos frouxos candeeiros da estação, e uma ou outra ocasional cintilante ponta incandescente de cigarro.

Os serviços básicos da estação, estão há muito fechados. O bar, a papelaria, a bilheteira... O WC, esse ainda está disponível - em troca de 0.50€, se a vontade for maior que o básico refresco das têmporas ou usufruto do urinol -, mas por pouco tempo. Já o faxineiro, um senhor com aparência de muitos anos de casa, passa o esfregão pelo chão, impaciente para ir para casa para o merecido descanso... Ou, passará talvez, ainda, por uma qualquer tasca ainda aberta para cumprimentar os comensais de tantas noites de volta do bagaço?

Em volta da lúgubre cena cai o silêncio pesado da noite, imposto pela lei inexorável da periferia abandonada a vidas marginais e marginalizadas de pobreza, prostituição e droga, encapotadas em prédios e armazéns cinzentos de velho ou em ruínas - ilhas separadas por auto-estradas e viadutos que estão longe do olhar e ninguém quer verdadeiramente visitar.

Há um claro desconforto nos olhares dos utentes que esperam à meia noite na estação de comboios da Campanhã. E esse desconforto, não pode ser explicado pela noite de Verão que se revela fresca e húmida (como é aliás de boa tradição naquelas terras), nem tampouco com facto de à noite todos os gatos serem pardos, e a nossa confiança no cidadão sentado ao lado no banco diminuir instintivamente.

A explicação para o desconforto pode ser encontrada fácilmente, atentando um pouco no placard electrónico de informação. O Intercidades ainda não chegou.

As pessoas, essas, esperam.

O silêncio espesso da noite, é quebrado pela voz aveludada-estridente feminina do altifalante. "Senhores passageiros: Lamentamos informar que o comboio Intercidades procedente de Lisboa Santa Apolónia circula com doze minutos de atraso, prevendo-se a sua chegada à gare às zero horas e quarenta e cinco minutos minutos. Pedimos a sua compreensão pelos incómodos causados."

Aos utentes, resta esperar. Esperar, e compreender bem demais os "incómodos causados" pelos sistemáticos atrasos.

Passados vinte minutos do anúncio, uma moça nos seus vinte anos pega no telemóvel: "Amor, onde estás? Se o combóio não chegar já, tenho que ir, senão não apanho o último autocarro, e de taxi fica demasiado caro... (...) Pois, tá bem, mas como é que fazemos? (...)" Dá duas voltas ao banco, e volta a sentar-se. Vai esperar, tal como todos os outros utentes. O problema do autocarro há-de se resolver.

A mensagem, essa, repete-se periodicamente. Promete sempre o famigerado comboio para daqui a 5 minutos. Para daqui a 2 minutos. O comboio, esse, não chega.

"Compreensão pelos incómodos causados." Bem melhor seria que pedissem compreensão pela ausência de melhoramentos no serviço desde há anos, motivados pela espera incessante de um TGV que venha resolver todos os males - ou, pelo menos atirá-los para debaixo do tapete. Em alternativa, que tal começarem a pedir desculpa pelo péssimo serviço prestado, em vez de "Compreensão pelos incómodos causados"?

O comboio, esse, lá chegou, e as multidões, residentes e recém chegadas, unidas numa só mole humana, dispersaram rapidamente no meio da noite, deixando os sem abrigo e guardas nocturnos mais descansados na sua dança diária, numa estação de comboios vazia.

40 minutos depois.

Sanremo 64 - Bobby solo-Una Lacrima Sul Viso

Da una lacrima sul viso
Ho capito molte cose
Dopo tanti e tanti mesi ora so
Cosa sono per te.

Uno sguardo ed un sorriso
M'han svelato il tuo segreto
Che sei stata innamorata di me
Ed ancora lo sei,

Non ho mai capito,
Non sapevo che
Che tu, che tu, tu mi amavi ma
Come me non trovavi mai
Il coraggio di dirlo ma poi,

Quella lacrima sul viso
E` un miracolo d'amore
Che si avvera in questo istante per me
Che non amo che te,

Non ho mai capito, non sapevo che
Che tu, che tu, tu mi amavi ma
Come me non trovavi mai
Il coraggio di dirlo ma poi,

Quella lacrima sul viso
E` un miracolo d'amore
Che si avvera in questo istante per me
Che non amo che te..

che te. che te
te te te..

agosto 15, 2009

Conselhos de viagem

Pode já vir tarde para muitos dos estimados leitores, mas esta infografia é optima para quem planeia viajar sem deixar os 6 meses de ordenado nas férias...

Parabéns ao Expresso por uma compilação muito interessante.

Deolinda - Lisboa Não É A Cidade Perfeita (S. Jorge)

Esta musica tem um je ne sais quoi... ;-)

The National - Secret Meeting

I think this place is full of spies
I think they're onto me
Didn't anybody, didn't anybody tell you
Didn't anybody tell you how to gracefully disappear in a room
I know you put in the hours to keep me in sunglasses, I know

And so and now I'm sorry I missed you
I had a secret meeting in the basement of my brain
It went the dull and wicked ordinary way
It went the dull and wicked ordinary way
And now I'm sorry I missed you
I had a secret meeting in the basement of my brain

I think this place is full of spies
I think I'm ruined
Didn't anybody, didn't anybody tell you
Didn't anybody tell you, this river's full of lost sharks
I know you put in the hours to keep me in sunglasses, I know

And so and now I'm sorry I missed you
I had a secret meeting in the basement of my brain
It went the dull and wicked ordinary way
It went the dull and wicked ordinary way

And now I'm sorry I missed you
I had a secret meeting in the basement of my brain
And now I'm sorry I missed you
I had a secret meeting in the basement of my brain
It went the dull and wicked ordinary way